Em carta aberta a evento de Biden, governadores da Amazônia apresentam plano de recuperação

Em carta aberta a evento de Biden, governadores da Amazônia apresentam plano de recuperação

Marianna Holanda

20 de abril de 2021 | 22h52

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Governadores da Amazônia Legal fizeram na noite desta terça-feira, 20, carta aberta à Cúpula de Líderes sobre o Clima, que começará dia 22, em que indicam um plano concreto para a região e reforçam o compromisso com o Acordo de Paris e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

“Sublinhamos o papel da esfera de governo subnacional no combate ao desmatamento ilegal, no desenvolvimento de uma economia de baixo carbono e na preservação dos biomas brasileiros, em especial da Amazônia”, diz o texto. 

No documento, os governadores apresentam o Plano de Recuperação Verde (PRV), “ousado e abrangente, mas realista e necessário aos desafios do Brasil e do mundo deste século”. E pedem “visão colaborativa”, sem entrar em detalhes.

“Sabemos que (o plano) só poderá ser viabilizado com uma visão colaborativa e envolvendo uma coalizão de todos aqueles que reconhecem o papel da Amazônia na prestação de serviços ambientais e ecossistêmicos”, diz ainda o documento organizado pelo porta-voz dos governadores, Flávio Dino (PCdoB-MA).

O plano já foi apresentado aos embaixadores dos Estados Unidos, União Europeia, Noruega e Reino Unido. O que os governadores buscam é ajuda financeira, sem citá-la expressamente, assim como o governo federal o fez. 

A carta diz que o PRV tem quatro eixos: frear o desmatamento; incentivar desenvolvimento produtivo sustentável; promover a tecnologia verde e capacitação; e promover infraestrutura verde. 

Além de Dino, assinam o texto Wilson Lima (PSC-AM), Gladson Cameli (PP-AC), Waldez Goés (PDT-AP), Mauro Mendes (DEM-MT), Helder Barbalho (MDB-PA), Mauro Carlesse (PSL-TO). Até as 23h desta terça-feira, só não participaram Antônio Denarium (sem partido-RR) e Marcos Rocha (PSL-RO).

Mais cedo, governadores de 23 Estados também fizeram uma carta se colocaram como porta de entrada para compartilhar ações que envolvam o combate ao desmatamento e redução de emissões de gases de efeito estufa. 

Todas essas cartas são reações à política ambiental de Jair Bolsonaro, pressionada pela comunidade internacional a apresentar planos concretos e resultados no evento que reunirá lideranças de mais de 40 países nos próximos dias. O meio ambiente é uma das prioridades do governo de Joe Biden. 

Confira a íntegra da carta dos governadores da Amazônia Legal:

 

CARTA DA AMAZÔNIA PELA SEGURANÇA CLIMÁTICA

Nós, governadores dos nove estados que compõem a Amazônia Legal, no contexto de realização da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, reafirmamos nosso compromisso com os princípios estabelecidos pelo Acordo de Paris e pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.

O Brasil é signatário de acordos e convenções internacionais ligadas à biodiversidade e foi precursor na promoção dessas discussões em eventos como a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento – ECO-92 e a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável de 2012, a chamada RIO + 20. Essa última posicionou a economia verde como diretriz de política governamental e fortaleceu a compreensão de que o desenvolvimento econômico e as políticas ambientais são parte de um mesmo contexto, não podendo ser compreendidos separadamente. Sublinhamos o papel da esfera de governo subnacional no combate ao desmatamento ilegal, no desenvolvimento de uma economia de baixo carbono e na preservação dos biomas brasileiros, em especial da Amazônia.

O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal apresenta o Plano de Recuperação Verde da Amazônia Legal – PRV. Trata-se de uma estratégia de desenvolvimento regional, seguindo a diretriz de construir uma economia verde com redução das desigualdades econômicas e sociais. O PRV engloba ações nos nove estados, contendo diversos projetos, envolvendo quatro eixos: 1) Freio ao desmatamento; 2) Desenvolvimento produtivo sustentável; 3) Tecnologia verde e capacitação; e 4) Infraestrutura verde. Esses quatro pilares formam um mecanismo convergente, a fim de gerar emprego e renda para a população urbana e rural, a partir de uma economia de baixo carbono.

O PRV é um plano ousado e abrangente, mas realista e necessário aos desafios do Brasil e do mundo deste século. Sabemos que só poderá ser viabilizado com uma visão colaborativa e envolvendo uma coalizão de todos aqueles que reconhecem o papel da Amazônia na prestação de serviços ambientais e ecossistêmicos. Esse é compromisso que nós, governadores da Amazônia Legal, reiteramos por ocasião da Cúpula de Líderes sobre o Clima.

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