Em 1º semestre conturbado, Toffoli se vale de perfil político

Em 1º semestre conturbado, Toffoli se vale de perfil político

Coluna do Estadão

29 de junho de 2019 | 05h00

Foto: Dida Sampaio

Outrora criticado, o perfil político de Dias Toffoli foi uma das marcas de sua condução do Supremo no 1.º semestre. A Corte iniciou o ano sob ataque das ruas, do Congresso e da família Bolsonaro. Hoje a temperatura baixou, mesmo o STF tendo enfrentado temas espinhosos e crises — inclusive as criadas por ele próprio. Nesses meses, Toffoli almoçou com parlamentares e até tentou costurar um pacto entre os Poderes, sem sucesso. Ministro da Corte, Marco Aurélio destaca seu papel mediador: “Se não houver ponderação no STF, onde haverá?”

Balanço… Em cerimônia de encerramento do semestre na segunda-feira, Toffoli apresentará números aos quais a Coluna teve acesso. Foram 57,4 mil decisões, entre monocráticas e colegiadas – 76,4% definitivas.

…geral. Em 61 sessões presenciais e virtuais, foram votados 1.615 processos, 16,5 por sessão. O acervo atual é de 35,8 mil, com redução de 64,5% desde 2009.

Bola dentro? Apesar das críticas, o entorno de Toffoli não admite erros na censura da matéria da revista Crusoé. Mas reconhece que, não fosse o episódio, o inquérito das fake news teria sido “um golaço”.

Elemento… O julgamento sobre prisão em segunda instância deve voltar ao plenário, mas a tendência é ser incluído na pauta de uma semana para a outra.

…surpresa. Quando foi marcado o julgamento para abril do ano passado, a segurança do Supremo detectou aumento significativo de ameaças aos ministros.

SINAIS PARTICULARES.

Dias Toffoli, presidente do STF

Kleber Sales

Calma. Com a reforma da Previdência na cara do gol, governistas estão preocupados com a possibilidade de a manifestação de amanhã ganhar contornos de ataque ao Congresso. O recado foi dado aos organizadores.

Ó nós aqui. Mesmo sem clima para avançar na Câmara, senadores querem aproveitar o apoio das ruas ao ministro Sérgio Moro para aprovar o pacote anticrime. Avaliam que esta é a brecha para o Senado voltar a ter protagonismo.

Posicionado. O deputado Ricardo Barros (PP-PR) está entre os cotados para relatar a versão do pacote anticrime que está na Câmara.

CLICK. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), esteve no gabinete do senador Irajá Abreu (PSD-TO), onde almoçaram uma paella, prato típico espanhol.

Instagram Davi Alcolumbre

Afunilando. Relator do projeto sobre armas apresentado pela bancada do PSL, o senador Alessandro Vieira vai reduzir de 10 mil para 2 mil unidades os lotes de munições.

Quase insolúvel. Com isso, pretende facilitar a investigação de crimes com armas de fogo. No caso Marielle Franco, por exemplo, a polícia identificou o lote, mas, como tinha 200 mil unidades, não conseguiu rastrear quem comprou.

Contra o relógio. Vieira quer apresentar seu relatório no dia 10 na CCJ.

Gol… Para Daniel Feffer, presidente da ICC Brasil, uma organização empresarial mundial, o acordo entre Mercosul e União Europeia sinaliza que o Brasil “finalmente” colocou o crescimento do País como “algo mais importante do que interesses setoriais”.

…de placa. Ramos mais protecionistas, como o de máquinas, costumam sofrer mais com esses acordos devido à entrada de concorrentes mais competitivos.

PRONTO, FALEI!

Deputado Augusto Coutinho. FOTO: CLEIA VIANA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Augusto Coutinho, líder do Solidariedade (PE) na Câmara: “A relação de Paulo Guedes e Rodrigo Maia não vai interferir em nada na disposição de votar a reforma. O Congresso vai cumprir essa agenda, que é do País.”

COM JULIANA BRAGA (editora interina) E REPORTAGEM DE MARIANNA HOLANDA

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