Eleição no Congresso favorece militar indicado para a Anvisa

Eleição no Congresso favorece militar indicado para a Anvisa

Coluna do Estadão

13 de dezembro de 2020 | 02h00

Nem o torvelinho provocado pelas discussões sobre o registro de vacinas foi capaz até agora de sugar a atenção dos senadores para uma análise acurada da indicação de mais um militar para a diretoria colegiada da Anvisa. Mesmo quem é contrário à nomeação do tenente-coronel Jorge Luiz Kormann avalia que a mobilização ficou prejudicada por dois motivos: 1) o trabalho remoto; 2) as eleições na Casa. Se os senadores confirmarem a nomeação, a entrada de Kormann deixará a diretoria colegiada (Dicol) da Anvisa com o carimbo “100% Bolsonaro”.

Está na fila. A análise da indicação está marcada para esta semana (última do ano parlamentar), em esforço concentrado do Senado.

Ichi. “Esse formato remoto deixa muito disperso o plenário, mas é claro que é preciso evitar indicações que não são técnicas para os quadros”, disse Alessandro Vieira (Cidadania-SE). “É tanto problema junto nesse governo que conseguir mobilizar no remoto fica ainda mais difícil…”

Oposição? Do líder do PT, Rogério Carvalho (SE): “Vamos avaliar, fazer a sabatina, não vamos prejulgar”.

Pra lá. Na Rede, a resistência deve ser um pouco maior. “Se os militares plantados por Bolsonaro na Anvisa agirem mesmo como marionetes, o STF interromperá o golpe e a agência será lançada na vala do descrédito”, afirmou o senador Fabiano Contarato (ES).

Ops. Nas redes sociais, o tenente-coronel já curtiu publicações críticas à Organização Mundial de Saúde (OMS) e à Coronavac. A Dicol é responsável por analisar os pedidos de registro emergencial de vacina contra o novo coronavírus.

SINAIS PARTICULARES

ARTHUR LIRA, deputado federal (PP-AL)

São tantas… Diante da hesitação (por estratégia ou mesmo desarticulação) de Rodrigo Maia (RJ) em definir seu candidato a presidir a Câmara, Arthur Lira (PP-AL) avança até mesmo sobre deputados do DEM do atual presidente.

…emoções, bicho. Lira vem amealhando apoios e fazendo tantas promessas que um experiente deputado até brincou: o candidato do PP está na pegada do antigo sucesso de Roberto Carlos que fala em ter um milhão de amigos.


CLICK.
O prefeito eleito do Recife, João Campos (PSB) visitou sua avó Ana Arraes, do TCU, em Brasília. Na campanha, circularam “fake news” envolvendo a ministra.

Peça… Decisão recente de Gilmar Mendes negando liminar para derrubar habeas corpus coletivos expedidos pelo STJ está sendo considerada pelo meio jurídico como “paradigmática” no sentido de restabelecer o papel constitucional do Ministério Público.

…histórica. A decisão deve impulsionar o projeto que tramita no Senado. Em linhas gerais, o ministro do STF diz que o MP tem o dever de buscar a verdade, e não encampar a qualquer custo o papel de acusador. A peça está baseada nos estudos de Lenio Streck.

Mas não é? “Todo mundo quer ser julgado por um juiz imparcial, mas alguém quer ser acusado por um promotor parcial?”, questionou Streck à Coluna.

Letra… No Senado, projeto do senador Antonio Anastasia (PSD-MG), em parceria com Streck, busca alterar o Código de Processo Penal para estabelecer a obrigatoriedade de o MP buscar a verdade dos fatos.

…da lei. Segundo Streck, o Ministério Público tem de buscar a verdade também para o réu. “Tem de agir como um magistrado.”

PRONTO, FALEI!

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul (PSDB)

“Todo governador tem seu estilo de trabalho, de fazer política. O do Doria envolve comunicação, era o trabalho dele antes de ser prefeito e governador”.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E
MARIANNA HOLANDA.

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