Doria precisará do ‘Centrão’ para governar

Doria precisará do ‘Centrão’ para governar

Coluna do Estadão

15 de março de 2019 | 05h00

Governador João Doria. FOTO: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Para além da tensão velhos versus novos, a Legislatura que toma posse hoje na Assembleia-SP exigirá grande habilidade política da gestão João Doria pelos seguintes motivos: 1) a bancada tucana caiu para menos da metade, com apenas 8 deputados; 2) a aliança que deve eleger o tucano Cauê Macris presidente não sustentará o governo porque dela faz parte o PT; 3) PSL, a maior bancada com 15, e Novo planejam ficar fora da base e negociar projeto a projeto com o Bandeirantes. Em suma, Doria dependerá de um “Centrão” de PSDB-DEM-PR-Podemos e PP.

Caminho… Pelo plenário da Assembleia-SP passará parte do futuro político de Doria, que tem projeto importante de privatizações, concessões e fusões.

…das pedras. A venda desses ativos vai dar fôlego para os investimentos do governo Doria, já que o dinheiro arrecadado não entra na vinculação (educação, saúde) nem pode ser usado para pagar custeio.

Magoei. Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) lembrou que estiveram no palanque de Rui Costa (PT-BA) os vice-líderes do governo, Claudio Cajado (PP) e José Rocha (PR), que declarou apoio a Fernando Haddad.

Incompatível. Quando consultado se avalizaria a indicação de José Rocha para a vice-liderança do governo, Valdemar da Costa Neto respondeu que não se importaria porque, do PR, ele não seria mais líder.

Jet leg. Com o objetivo de se aproximar do mercado financeiro, Paulo Guedes vai começar a despachar às quintas-feiras do gabinete em SP. Melhorar a interlocução com investidores é um dos pilares de sua gestão.

Tenho dito. O deputado Marco Feliciano avisou a Cesinha de Madureira e Sóstenes Cavalcante que deixará a Frente Parlamentar Evangélica caso insistam em decidir a presidência do grupo no voto. “Vai deixar a frente ainda mais dividida.”

Deu match. A Secretaria de Gestão de Pessoas, vinculada à Economia, está criando uma espécie de “Tinder de vagas” para a Esplanada. Gestores colocarão o perfil que procuram para determinado cargo e o sistema encontrará quem cumpre os requisitos.

SINAIS PARTICULARES.
Janaína Paschoal, candidata do PSL à presidência da Assembleia-SP

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Queda de braço. Quem conhece o MEC avalia que a nova secretária executiva, Iolene Lima, chega ao posto mais forte que o ministro, Ricardo Vélez.

Eu não. Deputados da bancada evangélica foram procurados para avalizar a indicação, mas se recusaram. No grupo, comenta-se que Iolene é próxima de Valandro Júnior, pastor da igreja de Michelle Bolsonaro.

Respira. Vélez sentiu uma “indisposição” em casa no domingo à noite, depois da conversa com Jair Bolsonaro. Já passa bem.

CLICK. Em sessão esvaziada no plenário, Alexandre Frota (PSL-SP) assumiu a presidência. Ele já tinha assumido o posto em outros momentos de tranquilidade na Casa.

FOTO: MARIANNA HOLANDA/ESTADÃO

Calma. Diplomatas lembram que, mesmo que Nestor Forster já esteja na lista dos que devem ser promovidos, ele ainda é, até o meio do ano, ministro de segunda classe. E não é comum, ou bem visto nos outros países, nomear alguém desse escalão para embaixador, muito menos em Washington.

Muy amigos. Assim como o diplomata Forster conhece Olavo de Carvalho de outros carnavais, Murillo de Aragão, também cotado, conhece o sogro de Ernesto Araújo, o embaixador Seixas Corrêa, há duas décadas.

PRONTO, FALEI!

Ivan Valente. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Ivan Valente, líder do PSOL na Câmara: “Rodrigo Maia não quis esse desgaste, porque sabe que, se ele vier a depor, não dura no ministério”, sobre a negativa para convocação de Marcelo Álvaro Antônio.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU NAIRA TRINDADE

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