Do banho de mar ao panelaço: em 15 dias, um presidente asfixiado

Do banho de mar ao panelaço: em 15 dias, um presidente asfixiado

Coluna do Estadão

16 de janeiro de 2021 | 05h00

Foto: Fábio Bispo/Estadão

O banho de mar em Praia Grande (SP) no primeiro dia deste 2021 parece não ter trazido bons fluidos para Jair Bolsonaro. As últimas horas foram de reveses: colapso em Manaus, curva ascendente de mortes por covid-19, freio da Índia no envio de vacinas ao País, possibilidade de convocação extraordinária do Congresso, volta dos panelaços e aumento da pressão pelo impeachment: governadores e prefeitos, por exemplo, já colocam em dúvida, em privado, a capacidade do presidente e de seu time de controlar a pandemia e vacinar os brasileiros. Vale lembrar: Bolsonaro zombou da covid-19 e das medidas de isolamento ao mergulhar no mar e causar aglomeração. Deu azar.

De olho. A possibilidade de convocação do Congresso no recesso deixou bolsonaristas em alerta total. Acham que Rodrigo Maia (DEM-RJ) pode ter algum arroubo na reta final de seu mandato na presidência da Câmara. A conferir.

Vai que. Em público, Maia tem negado que poderá dar início ao processo de impeachment, mas nos bastidores seus adversários consideram que a chance existe, e não é pequena.

É tarde? O fato é que a 15 dias do término de seu mandato na presidência da Câmara e sob pressão dos governadores, Maia parece ter acordado para a fraca atuação do Legislativo no aspecto essencialmente sanitário da pandemia da covid-19.

Livre. O sonho de Maia de deixar como legado um ajuste das contas públicas e a modernização da economia pode dar lugar ao pesadelo da omissão: a Câmara liberou a dupla Pazuello-Bolsonaro para deitar e rolar na cloroquina.

Náufragos. Coincidência trágica: o naufrágio da agenda econômica e liberal também levou a pique o barquinho do ministro Paulo Guedes, ex-aliado e hoje um grande desafeto de Maia.

Sai… Sentado sobre uma montanha de pedidos de impeachment de Bolsonaro, Maia também legará outra batata quente?

…de cima. “O que mais você precisa, Rodrigo Maia, quantos mais precisam morrer? Impeachment já!”, pediu o ator e humorista Fábio Porchat no Twitter.

SINAIS PARTICULARES.
Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

Ilustração: Kleber Sales

Cuidados. Os Estados que vão receber pacientes de Manaus estão preocupados com a possibilidades de eles estarem com a nova cepa do coronavírus.

Cuidados 2. Por isso, Piauí, Rio Grande do Norte, entre outros, estão com protocolo rígido para garantir que eles sejam atendidos em áreas exclusivas, separadas dos demais pacientes com covid-19, e com quarentena para acompanhantes. O Ministério da Saúde não deu qualquer orientação a respeito.

2 em 1. O Ministério da Saúde passou a pedir para Estados que vão receber pacientes de Manaus que mandem também oxigênio quando o avião voltar para o Amazonas.

CLICK.  A senadora Mailza Gomes (PP-AC), o governador do Acre, Gladson Cameli (PP) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), precisaram pedir ao Ministério da Saúde ajuda para o envio de 50 cilindros de oxigênio ao Amazonas, doados por artistas. O material custou R$ 115 mil.

Coluna do Estadão

Somando… O governo chinês irá doar dinheiro para a compra imediata de oxigênio e material hospitalar para o Amazonas.

…esforços. O meio de campo com Pequim foi estabelecido por uma mobilização entre a OAB, o Instituto Sociocultural Brasil-China e a Embaixada da China. O Comitê de Crise do Congresso também ajudou.

Ajuda. A iniciativa foi batizada de “AmARzonas”, em alusão às palavras “ar” e “amar”. Empresas brasileiras e chinesas também aderiram à ideia da ajuda.

Ajuda 2. O grupo coordenará os repasses das doações e a distribuição dos insumos, que devem chegar à região amazônica ainda nos próximos dias.

PRONTO, FALEI! 

O pesquisador e neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis Foto: André Lessa/Estadão

Miguel Nicolelis, neurocientista:Era previsível. Mas é aterrorizante ter que vivenciar todas estas previsões. O Brasil está ficando sem ar! Uma nação inteira está sendo asfixiada, dia após dia, sem que nada mude. Não é só em Manaus que falta oxigênio. O Brasil todo está ficando irrespirável.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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