Disputas e suspeitas na crise da Casa da Moeda

Disputas e suspeitas na crise da Casa da Moeda

Coluna do Estadão

24 de setembro de 2020 | 05h00

Foto: Fabio Motta/Estadão

Em crise financeira e administrativa, a Casa da Moeda se tornou alvo de disputa interna no governo federal. Integrantes da ala militar entendem que a empresa passa por um processo de sucateamento e, após Jair Bolsonaro ter recuado na intenção de privatizá-la, como planejava a equipe econômica, querem assumir o controle da estatal. Um novo problema surgiu: uma das principais entidades de combate à falsificação protocolou pedidos de investigação no MPF e na PF sobre a cessão a terceiros de papel e tinta usados para confeccionar cédulas.

Grave. Segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), a remessa de “amostra grátis de tinta offset seco e tinta offset úmido (usadas para a fabricação das novas notas de R$ 200) e papel fiduciário, originada na Casa da Moeda do Brasil, foi destinada à Seller Ink Indústria e Comércio de Tintas e Vernizes Ltda”.

Grave 2. Para a entidade, a remessa pode abrir caminho para concorrência desleal ou até para o abastecimento de um mercado secundário de falsificação.

A ver. Procurada pela Coluna, a PF confirmou o recebimento e se limitou a informar que está checando as informações da entidade.

Com a palavra. Em nota à Coluna, a Casa da Moeda confirmou a remessa para um outro “fornecedor credenciado” (a Seller Ink) para testes, mas disse que a quantidade de material enviado não é suficiente para produzir “nem uma cédula”.

Motivo. A remessa foi necessária, diz a Casa da Moeda, porque as tintas de outro fornecedor apresentaram resultado insatisfatório, causando atrasos de produção, o que poderia colocar em risco o compromisso assumido com o BC.

Reforço. Partiu do bolsonarista raiz Rogério Peninha (MDB-SC) a sugestão do nome de Lúcio Mosquini (MDB-RO) para integrar mais uma vaga de vice-líder do governo na Câmara dos Deputados. Mosquini até já se reuniu com Bolsonaro.

CLICK. Em meio à pandemia, João Campos, candidato a prefeito do Recife pelo PSB, tem feito corpo a corpo pela cidade. Ele, porém, está longe de ser a exceção.

Reprodução/Instagram

Ué? Enquanto Carlos Siqueira, presidente nacional do PSB, critica o PT e ataca Lula, os dois partidos seguirão juntos nas eleições deste ano em 34 cidades com mais de 100 mil habitantes. Salvador, Olinda e João Pessoa estão entre elas.

Somando. Márcio França (PSB) conseguiu angariar mais um apoio para sua candidatura à Prefeitura de São Paulo: o do PMB. O anúncio da aliança deverá ser feito hoje.

Sem curtida. Aliás, França não gostou da nota publicada ontem pela Coluna. Em nota, ele diz que sua campanha está “baseada em propostas de emergência para retomar o emprego e a qualidade de vida dos paulistanos”. França diz ainda que a cidade não pode “seguir sendo usada como trampolim para candidatos que vislumbram outros cargos públicos”.

Quase… A menção à “cristofobia” feita pelo presidente Jair Bolsonaro na ONU já foi tema de debate na Câmara Municipal de São Paulo. Projeto do vereador Eduardo Tuma (PSDB), atual presidente da Casa, aprovado em 2016, estabeleceu na capital o “Dia de Combate à Cristofobia”.

…deu. A intenção, segundo Tuma, era promover a “liberdade religiosa”. O texto, depois, acabou vetado pelo então prefeito da capital, Fernando Haddad (PT).

Mamãe, falei. O youtuber Arthur do Val, candidato do Patriotas a prefeito de São Paulo, largou com 2% das intenções de voto (Ibope), mas acredita em uma virada na reta final. Ele é mais um a correr na já congestionada pista da direita conservadora na eleição.

SINAIS PARTICULARES.
Arthur do Val, deputado estadual e candidato à Prefeitura de São Paulo

Ilustração: Kleber Sales

Juntos. Os secretários estaduais de SP da Fazenda, Henrique Meirelles, e de Relações Internacionais, Júlio Serson, têm reunião hoje com diplomatas do Reino Unido e representantes de multinacionais. O encontro é parte do plano de retomada da economia elaborado pelo governo paulista.

BOMBOU NAS REDES!

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Ana Carla Abrão, economista e colunista do Estadão: “Recriar a CPMF significa assumir que não se quer cortar gastos. O que, considerando a atual captura do orçamento por corporações públicas e privadas, equivale a declarar a escolha do governo pelos ricos em detrimento da população pobre. A esses, só os restos…”

COM ALBERTO BOMBIG E MARIANA HAUBERT. 

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