Direita busca prumo sem ‘bigorna’ Bolsonaro

Direita busca prumo sem ‘bigorna’ Bolsonaro

Coluna do Estadão

28 de novembro de 2020 | 05h00

Assembleia Legislativa de SP e Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados

Integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do PSL se reuniram na Assembleia-SP para um balanço das eleições e em busca de convergência fora do “bolsonarismo”. De cara, um consenso: Jair Bolsonaro se transformou em uma bigorna que impede novos voos da direita no País. Claro, a pergunta inevitável surgiu: se não vamos de Bolsonaro, vamos com quem, então? Os nomes citados preliminarmente foram os de Sergio Moro, que tem ciscado para fora do terreiro da direita, e da deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP). O consenso ainda está longe.

Mercado futuro. Os projetos também envolvem uma candidatura de direita ao Bandeirantes: Arthur do Val ou Major Olímpio.

Quórum importante. Participaram do encontro Joice Hasselmann (PSL), do Val (Patriota), Júnior Bozzella (PSL) e Renan Santos (MBL). O senador Major Olímpio (PSL) não foi por causa de um contratempo.

Calma… A reunião foi amistosa, mas inconclusiva. O surgimento dos nomes deu uma embolada na pauta, afinal, ainda é cedo para definições de candidaturas.

…gente. “Não sei nem se estarei viva (em 2022). Não está nos meus planos. Acredito na necessidade de unir a direita, mas, não necessariamente, de definir papéis. Eles têm dificuldade em entender que a política não é binária. Não olho as pessoas envolvidas nas discussões, apenas os temas”, disse Janaína à Coluna.

Rebranding. “O bolsonarismo virou uma âncora, está muito desgastado. Estamos planejando agora os próximos passos, temos de nos reinventar. A gente quer criar um movimento alternativo”, disse Bozzella.

No… Velhos caciques da política nordestina preparavam a aposentadoria após a vitória de Bolsonaro em 2018, mas o cenário eleitoral atual está motivando uma mudança de planos.

…aquecimento. Na Paraíba, José Maranhão (MDB), com 86 anos, pensa em concorrer ao governo. Cássio Cunha Lima (PSDB) sonha com a volta ao Senado. Ambos apostam todas as fichas na candidatura de Nilvan Freire (MDB) a prefeito de João Pessoa contra Cícero Lucena, candidato do PP.

SINAIS PARTICULARES.
José Maranhão, senador (MDB-PB)

Ilustração: Kleber Sales

Meio cheio… Mesmo não sendo candidata a nada, Marta Suplicy ocupou espaço importante na eleição deste ano. Entre os tucanos, a avaliação é de que ela sai maior da disputa porque ajudou Bruno Covas a manter o prumo da campanha no centro e foi leal do começo ao fim ao prefeito.

…meio vazio. Nos grupos de esquerda e de centro-esquerda, porém, a visão é outra. Para eles, Marta sai menor da eleição por não ter acreditado no potencial da candidatura de Guilherme Boulos. Ela teria se precipitado ao apoiar Covas.

Tudo igual. Bruno Covas repetirá amanhã o mesmo ritual de votação do primeiro turno: acompanhará Marta, João Doria e Fernando Henrique Cardoso. No partido, o clima era de “reconstrução” do PSDB após o furacão Bolsonaro e os impactos da Lava Jato.

Máxima vênia. Guilherme Boulos recebeu apoios (e doações) de peso na tradicional advocacia paulista, entre eles, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, Cezar Britto, Otávio Pinto e Silva, Ana Amélia Camargo Mascarenhas e Fábio Tofic.

CLICK. Após enchente em São Carlos, Junior Bozzella (PSL-SP) (à dir.) e o prefeito Airton Garcia (à esq.) conseguiram com João Doria R$ 11 milhões para o município.

Reprodução

PRONTO, FALEI! 

Foto: Gabriela Bilo/Estadão

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente: “O presidente chamou a covid-19 de gripezinha. Agora, com 170 mil mortes, nega o que falou e culpa a imprensa. O presidente, que fazia o tempo todo a retórica do conhecereis a verdade, se esconde atrás da mentira a fim de se safar das atrocidades que diz.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU PEDRO VENCESLAU.

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