Diálogo, sim, mas com distância regulamentar

Diálogo, sim, mas com distância regulamentar

Coluna do Estadão

12 de abril de 2019 | 05h00

DIDA SAMPAIO / ESTADÃO

Os instrumentos jurídicos usados por Jair Bolsonaro nos atos anunciados em razão dos cem dias de mandato embutem sinais sobre a nova relação que ele sonha em manter com o Congresso: diálogo, mas com distância regulamentar. O pacote depende pouco ou quase nada da boa vontade e da rapidez dos parlamentares. Menos da metade dos atos precisa passar pelas Casas e foi encaminhada por projeto de lei, sem a mão pesada das MPs, que impõem efeito imediato. O Planalto mostra respeito ao Legislativo e se livra de pressões e derrotas.

Foco. De acordo com os conselheiros da articulação política, Bolsonaro quer sinalizar, para os próximos cem dias, postura de diálogo com o Parlamento e deixar claro suas prioridades: as reformas estruturantes.

Delay. Um dos poucos ministros a não comparecer ao evento dos cem dias foi Santos Cruz (Secretaria de Governo). Ele perdeu uma conexão do voo de volta de Tóquio, onde foi conversar sobre o Programa de Parcerias de Investimentos.

Modelo. Presidente da comissão que analisará a MP da estrutura de governo, João Roma (PRB-BA) quer saber a quais guarda-chuvas os órgãos análogos ao Incra e à Funai estão vinculados em outros países.

Azedou. Os que defendem a saída de Major Vitor Hugo (PSL-GO) da liderança de governo levaram um susto com ele ao lado do presidente em “live” ontem. Foi um sinal de força.

Bola é minha. O Centrão quer porque quer votar a PEC do Orçamento Impositivo na CCJ antes da Previdência. “Qualquer Parlamento do mundo impõe a vontade de quem tem maioria. Quem tem maioria é a gente”, disse o líder do DEM, Elmar Nascimento.

CLICK. O convite de João Doria para a bancada paulista jantar no Palácio virou piada no grupo de WhatsApp dos parlamentares. Brincaram com o traje: “gravata”.

Coluna do Estadão

Ele é… O ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi questionado por parlamentares, em uma visita ao gabinete de Davi Alcolumbre, se era ou não olavete.

…ou não é? Weintraub disse que só teve algumas aulas com Olavo de Carvalho, mas sinalizou que gostaria de se distanciar do rótulo. Horas antes, o escritor havia dito que o novo ministro conhece suas ideias melhor que o anterior, Vélez.

Segredo… O general Augusto Heleno se recusou a entregar documentos solicitados pelo PSOL. A demanda foi feita pelo partido, via requerimento de informação da Câmara, após reportagem do Estado ter mostrado que o GSI monitora o Sínodo da Amazônia.

…de Estado. Heleno negou que a Abin monitore a Igreja Católica, assim como partidos e movimentos sociais de esquerda. O partido considerou a resposta do ministro insuficiente e vai elaborar um novo pedido de informações.

SINAIS PARTICULARES.

Augusto Heleno, ministro do Gabinete Instituicional de Segurança (GSI)

Devagar. A CGU conclui que há lentidão no processo de julgamento de multas do Ibama: em média, são 5 anos de tramitação. Além disso, há um estoque de mais de 96 mil processos parados na autarquia.

Unidos. O PSDB deve eleger domingo Fernando Alfredo presidente do partido em SP. Wilson Pedroso será secretário-geral. O primeiro é próximo de Bruno Covas. O segundo, chefe de gabinete João Doria.

PRONTO, FALEI!

Marcos Rogério, senador (DEM-RO): “O resultado atende às expectativas considerando o cenário em que ele assumiu o País. Não é o ideal, mas está no caminho certo”, sobre os 100 dias de governo. 

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU  MARIANA HAUBERT

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