Desgaste gera receio de mais atraso na reforma

Desgaste gera receio de mais atraso na reforma

Coluna do Estadão

28 de junho de 2019 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sa / AFP

O adiamento da análise da reforma da Previdência e a consequente ameaça de votação no segundo semestre ganharam contornos mais preocupantes diante da queda da aprovação de Jair Bolsonaro. Mesmo com as trapalhadas, o presidente foi responsável por colocar gente nas ruas pedindo pelas mudanças na aposentadoria e acaba por emprestar parte da sua popularidade à reforma. Há receio entre líderes políticos e no mercado de que, ficando para depois do recesso, eventual ampliação do desgaste de Bolsonaro contamine também a Nova Previdência.

Consenso. Marcelo Ramos (PL-AM), presidente da Comissão Especial, preocupa-se com o recado que fica. “Vamos passar uma mensagem ruim se deixarmos para o segundo semestre, mas farei o que for decisão da maioria dos líderes.”

Agenda. No mercado, a ansiedade é pela aprovação antes da reunião do Copom de 31 de julho, quando se espera que o colegiado possa baixar a taxa de juros.

Otimista. O secretário Rogério Marinho acredita que a pauta já independe de Bolsonaro. “O presidente teve a coragem de apresentar o tema ao Congresso, mas ele já foi incorporado pela sociedade.”

Paralelo. As mudanças na CSLL devem sair do relatório de Samuel Moreira e entrar em projeto de lei. Há o entendimento de que não se pode constitucionalizar uma alíquota.

Intercâmbio. Preso em Sevilha, o militar pego com cocaína no avião presidencial só deve ser extraditado para o País em três meses. É o prazo estimado para concluir-se o inquérito brasileiro e a Justiça Militar pedir a transferência

Importado. Em jantar na casa do senador Marcos do Val, Sérgio Moro contou que pretende empregar a partir do próximo mês na fronteira do Paraguai o modelo americano de unificação das polícias de combate ao tráfico de drogas.

O pior já passou. A versão de integrantes da inteligência do governo dá conta de que já se esgotou o arsenal do The Intercept contra Moro. Os próximos capítulos seriam sobre conversas entre Deltan Dallagnol e outros procuradores.

Melhor um na mão… Mesmo com o avanço das investigações sobre candidaturas laranjas em Minas, a bancada do PSL insistirá na defesa de Marcelo Álvaro Antônio. Não querem desgastar o único representante na Esplanada, por receio de ficarem sem nenhum.

Ganhando tempo. O governo manobrou para adiar para 17 de julho a votação na Comissão de Viação e Transportes da Câmara do projeto que retoma a gratuidade da bagagem nos aviões. Quer aproveitar o prazo para reverter os votos contrários à cobrança.

CLICK. A secretária de Desenvolvimento Social de SP, Célia Parnes, visitou assentamentos rurais em Porto Feliz. Lá agricultores produzem, por exemplo, berinjela.

Secretária de Desenvolvimento Social de SP, Célia Parnes. Foto: Divulgação

Os políticos. Os três decretos de armas publicados esta semana contavam apenas com a assinatura da Presidência da República e da Casa Civil, que costurou o acordo com o Congresso.

Ligeirinho. No decreto de maio, o parecer da Defesa saiu às 19h11, 3 horas depois da solenidade no Planalto.

Corda bamba. Auxiliares palacianos de Jair Bolsonaro andam se queixando de que o secretário do PPI, Adalberto Vasconcelos, não presta contas das ações da secretaria aos ministros envolvidos no programa.

SINAIS PARTICULARES. Adalberto Vasconcelos, secretário especial do PPI; por Kleber Sales

PRONTO, FALEI!

Eliziane Gama

Líder do Cidadania no Senado, Eliziane Gama. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Eliziane Gama, líder do Cidadania no Senado: “Não podemos criar uma colcha de retalhos na Previdência. Se isso ocorrer no texto da Câmara, o Senado terá que mexer”, sobre a entrada dos Estados na PEC

COM JULIANA BRAGA (editora interina) E REPORTAGEM DE MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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