Desafeto de Moro, Ibaneis deu conselho a Bolsonaro

Desafeto de Moro, Ibaneis deu conselho a Bolsonaro

Coluna do Estadão

23 de abril de 2020 | 21h01

Foto: Anderson Riedel/PR

Três dias antes do estresse entre Jair Bolsonaro e Sérgio Moro, o presidente esteve com Ibaneis Rocha (MDB) e com o secretário de Segurança do DF, o delegado Anderson Torres, cotado para substituir Maurício Valeixo na Polícia Federal. O governador disse que é preciso acabar com esse negócio de ministro discordar do chefe e deu um conselho a Bolsonaro, que apenas teria ouvido tudo pensativo, calado: “O senhor tem que usar mais a sua caneta”. Segundo Ibaneis, o comentário não tinha alvo específico, como o titular da Justiça, por exemplo.

Fica a dica. “Todos os cargos são do presidente. Se ele não está satisfeito, usa a caneta e troca”, disse Ibaneis, que nunca gostou muito do trabalho de Moro na Justiça, à Coluna.

Linha dura. “O presidente tem que ser mais enérgico com algumas coisas, não tem que estar se submetendo à vontade de ministro. Em cargo administrativo, como é na Polícia Federal, tem de existir o mínimo de interferência política, mas o presidente deve ter motivo para estar insatisfeito.”

Calma. A ala militar corre para construir consenso entre o presidente e o ministro: um substituto para Valeixo indicado por Moro e do agrado de Bolsonaro.

CLICK. Michelle Bolsonaro doou cestas básicas no Sol Nascente, periferia de Brasília, local onde mora parte de sua família. A ação foi da Fundação Banco do Brasil.

Divulgação/Instagram

Destino… Ao menos 400 mil dos 1,25 milhão de comprimidos de cloroquina produzidos pelo laboratório do Exército serão distribuídos para hospitais das Forças. O suficiente para tratar cinco mil pacientes.

…final. Os pouco mais de 800 mil comprimidos restantes serão distribuídos para o SUS nos Estados, conforme determinação do Ministério da Saúde.

Sai da frente. De uma coisa Braga Netto não pode ser acusado, dizem aliados e até desafetos dele: de fazer corpo mole. O general é um trator para trabalhar, inclusive, auxiliando nas demandas de muitos colegas de Esplanada. Foi assim que acabou “atropelando” Paulo Guedes no Plano Pró-Brasil. Mas foi sem querer, alegam os aliados.

SINAIS PARTICULARES.
General Braga Netto, ministro da Casa Civil

Ilustração: Kleber Sales

Juntos. Em uma iniciativa incomum, 17 partidos apresentaram uma ação conjunta ao STF em que questionam duas resoluções do TSE que, na avaliação das legendas, dificultam a prestação de contas partidárias e a gestão dos recursos pelas siglas.

Meu bolso, não. As resoluções tratam da apresentação de documentos para comprovação de gastos e repasse de recursos dos diretórios nacionais para os estaduais e municipais quando estes têm contas reprovadas pela Justiça. As siglas alegam que sofrerão impacto financeiro.

Amigos. A bancada ruralista se aliou a mais de 50 entidades do agronegócio em campanha para defender a ministra Tereza Cristina (Agricultura) e as relações comerciais do Brasil-China. “Com o comércio global forte, o agro ajuda o Brasil e o Brasil ajuda o mundo”, diz vídeo.

Ruído tucano. Enquanto o governador João Doria pede que os paulistas fiquem em casa por “amor” à vida, o prefeito da capital, Bruno Covas, faz vídeo institucional mostrando o horror em Guayaquil.

PRONTO, FALEI!

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Vanessa Grazziotin, ex-senadora (PCdoB-AM): “No Amazonas, além de sofrer com políticas federais equivocadas, há a agravante das crises sistêmicas: em 18 meses foram três governadores.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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