Demissão na Apex gera nova crise no governo Bolsonaro

Demissão na Apex gera nova crise no governo Bolsonaro

Naira Trindade e Juliana Braga

10 de janeiro de 2019 | 15h01

Alecsandro Carreiro, presidente da Apex FOTO: Arquivo Pessoal

Indicado presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alecsandro  Carreiro, se recusa a aceitar a demissão publicada no Twitter ontem à noite pelo ministro Ernesto Araújo, de Relações Exteriores, e continua dando expediente na agência. Ele também se recusa a nomear os novos diretores.

Em nota oficial,  a assessoria da Apex confirma que o presidente continua trabalhando: “A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (Apex-Brasil) esclarece que o presidente Alex Carreiro, nomeado para o cargo pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, cumpriu expediente normal na agência nesta quinta-feira (10/01), tendo efetuado despachos internos e recebido para audiências autoridades de Estado.”

A aliados, Alex Carreiro avisou que só aceitará sua exoneração se ela for determinada pelo presidente Jair Bolsonaro. E disse que atuará normalmente no prédio até ser chamado pelo presidente da República ou até que seja publicada sua saída no Diário Oficial da União.

O embaraço da suposta queda de Carreiro pode respingar até mesmo na saída do ministro Ernesto Araújo, como avaliam servidores da agência. Ao ter sua demissão anunciada por mensagem de Twitter, Carreiro procurou deputados do PSL e mostrou mensagens de WhatsApp que mostrariam pressão do diplomata para que ele entregasse o cargo.

A interlocutores, Carreiro relatou ter procurado o ministro para reclamar de Letícia Catellani, indicada para substituir Márcia Nejaim na diretoria da Apex. Márcia é mulher do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida. 

Ex-dirigente do PSL, Letícia chegou ao posto há dois dias e não teria gostado de saber que Carreiro havia demitido 15 pessoas sem consultá-la, o que gerou uma série de discussões entre os dois. Ela e Márcio Coimbra não foram nomeados para a diretoria, mas já ocupam salas, usam computadores e circulam pelos corredores do prédio. A nomeação dos novos diretores está prevista para ocorrer na terça-feira, 15, durante a reunião do Conselho Deliberativo.

Na conversa, o presidente da Apex diz ter sido surpreendido com sua carta de demissão, que se recusou a assinar. E, mais tarde, com o seguinte post do ministro no Twitter anunciando sua saída da Apex.

“O Sr. Alex Carreiro pediu-me o encerramento de suas funções como Presidente da Apex. Agradeço sua importante contribuição na transição e no início do governo. Levei ao presidente Bolsonaro o nome do embaixador Mario Vilalva, com ampla experiência em promoção de exportações, para presidente da Apex”, escreveu o ministro.

Segundo fontes, o presidente Jair Bolsonaro não foi avisado por Ernesto da demissão do então presidente da Apex.

Hoje, o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, foi ao Twitter para tratar do assunto. “Eu não gostaria que fosse assim, mas grande parte da imprensa MENTE constantemente se se preocupar com a informação, somente em desgastar Bolsonaro. A última foi que @BolsonaroSP teria indicado o 01 da APEX e que o Presidente teria o desautorizado. MENTIROSOS DESCARADOS (sic)!”, escreveu.

No Twitter, Carlos se referia a versão de que foi Eduardo Bolsonaro, outro filho do presidente, quem indicou Carreiro para a Apex, o que teria sido desautorizado pelo pai presidente. (Naira Trindade e Juliana Braga)