Defesa quer diferenciar papéis de Temer e coronel Lima

Defesa quer diferenciar papéis de Temer e coronel Lima

Coluna do Estadão

10 Julho 2018 | 05h30

O avanço das investigações do Inquérito dos Portos pode alterar os rumos da defesa do presidente Michel Temer. Começa a ser costurada uma tese para responsabilizar unicamente o coronel João Baptista Lima Filho por receber supostos recursos indevidos de empresas do setor portuário. A ideia é mostrar que amigos podem trabalhar juntos, mas não necessariamente serem responsáveis pelos atos uns dos outros. Para o Ministério Público Federal, o coronel Lima tinha o papel de auxiliar na arrecadação de propina que seria destinada a Temer.

Mapa da mina. Além de ouvir o delator Lucio Funaro, o delegado Cleyber Malta, responsável pelo caso, deve se debruçar para cruzar as informações já levantadas e tentar refazer o caminho do dinheiro. Pela terceira vez, a PF prorrogou as investigações por 60 dias.

Muito próximos. Temer e o coronel Lima são amigos desde a década de 1980. Na época, o presidente era secretário de Segurança de São Paulo e Lima, policial militar. Uma das suspeitas envolve a filha de Temer, Maristela, que admitiu ter recebido ajuda do coronel para reformar sua casa.

Recado. Em reunião ontem em São Paulo, o Grupo de Trabalho Eleitoral do PT frisou que o indicado a vice-presidente não será alçado a cabeça de chapa em substituição a Lula. Com isso, o partido espera reforçar as conversas com o PR, de Valdemar Costa Neto.

Sem vidraças. Quem convive com José Luiz Datena, recém-filiado ao DEM, não se surpreendeu com a decisão dele de desistir da candidatura ao Senado. O apresentador não gosta de ser questionado e a ideia de virar vidraça o incomodava.

O rei… O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) foi convocado para fazer a contagem dos votos que o presidenciável Henrique Meirelles tem para a convenção do MDB por ser profundo conhecedor do partido, que tem histórico de divisão entre seus dirigentes.

…das planilhas. Em 2006, Anthony Garotinho teve a candidatura barrada por 25 votos. Antes, em 1998, Itamar Franco também não conseguiu. Temer passou raspando, em 2014.

SINAIS PARTICULARES. Eliseu Padilha e Henrique Meirelles, ministro da Casa Civil e presidenciável do MDB; por Kleber Sales

Sem lógica. O ministro Aloysio Nunes (Relações Exteriores) diz ser “delirante” a tese dos defensores da Lava Jato de que o presidente Temer vai viajar neste mês para permitir que o ministro Dias Toffoli assuma o comando do Supremo e atue para soltar Lula.

Logo ali. Temer fará três viagens internacionais. Para não ficarem inelegíveis, os chefes da Câmara e do Senado também precisam se ausentar. Com isso, Cármen Lucia assumirá o Planalto e Toffoli, o STF. A Coluna revelou que ela não deve acumular os dois cargos.

CLICK. O apoio do prefeito Bruno Covas à candidatura de Ricardo Tripoli ao Senado aumentou a cisão no PSDB-SP. Mara Gabrilli e Cauê Macris não gostaram do gesto.

Meio termo. A inclusão na pauta do TCU da análise do acordo de leniência da Odebrecht foi uma solução intermediária. Chegou a ser discutida ontem por auditores e ministros a possibilidade de ação cautelar, para suspender o acordo.

Boa fé. Antes de incluir o tema na pauta, Raimundo Carreiro conversou com os ministros da CGU e AGU, Wagner Rosário e Grace Mendonça, que se comprometeram a enviar a íntegra do acordo, desde que a Corte assine confidencialidade.

PRONTO, FALEI!

Foto: Dida Sampaio/Estadão

“Ele diz que está noivo de Magno Malta e não sou eu que vou sair por aí estragando o noivado”, DA ADVOGADA E UMA DAS AUTORAS DO IMPEACHMENT DE DILMA, JANAÍNA PASCHOAL (PSL-SP), sobre a possibilidade de ser vice na chapa de Jair Bolsonaro.

COM NAIRA TRINDADE (editora interina) E REPORTAGEM DE JULIANA BRAGA

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