Decano do Supremo vê ‘esperneio’ de Bolsonaro

Decano do Supremo vê ‘esperneio’ de Bolsonaro

Coluna do Estadão

10 de abril de 2021 | 05h00

Ministro do Supremo Marco Aurélio Mello. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Decano do STF, o ministro Marco Aurélio Mello saiu em defesa do colega de Corte Luís Roberto Barroso, após ataque do presidente Jair Bolsonaro. “Ele esperneou e, para mim, de uma forma descabida, atacando o ministro Barroso. Não constrói. A crítica construtiva, tudo bem, mas ataque?”, disse à Coluna. O ministro, que se aposenta em pouco mais de dois meses, arrematou: “O que alcança um de nós alcança a instituição”. Barroso determinou a abertura da CPI da Covid no Senado, que já tem assinaturas, mas estava guardada na gaveta.

Calma. “Isso é ruim para as instituições. Nós precisamos atuar com temperança, compreensão. Não cabe arroubo de retórica”, disse.

Detenção! Marco Aurélio relembrou uma lição da infância com o caso: “O exemplo vem de cima. O presidente deve ser um farol para os cidadãos em geral”.

Mãos dadas. Sobre a decisão, o decano disse que qualquer um dos ministros teria feito o mesmo. “O que não pode é o requerimento atendendo às formalidades legais ficar na gaveta.”

Alto lá. Do senador Otto Alencar (PSD-BA): “O Senado é um verdadeiro ‘covidário’. Sou favorável à CPI, quando houver condições sanitárias. Barroso entraria numa sala fechada, com risco de vida, para uma oitiva?”. Ele deve ser indicado pelo PSD para a comissão.

Operação… Senadores acreditam que, mesmo que Rodrigo Pacheco (DEM-MG) inicie a CPI na semana que vem, ela só deve começar a funcionar após a análise da decisão de Barroso pelo plenário da Corte, dia 16.

…tartaruga. Isso porque os partidos precisam indicar seus representantes na comissão e alguns líderes estão seguindo o mau exemplo de Eduardo Pazuello: pra que essa pressa?

Ué? Senadores do PL, partido da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, querem levar ao plenário da Casa a análise da “legalidade, viabilidade e oportunidade do cumprimento da decisão judicial” do ministro do STF sobre a CPI da Covid. Mas, como o próprio Pacheco disse, decisão judicial se cumpre.

SINAIS PARTICULARES.
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado

Ilustração: Kleber Sales

Veja… Um interlocutor de Rodrigo Pacheco explica um dos principais motivos para ele ter segurado a CPI da Covid até agora – e para ele estar preocupado com sua instalação. O presidente do Senado teme perder protagonismo com a comissão em andamento.

…bem. De olho na presidência da República, Pacheco sabe que esses dois anos seriam essenciais para se cacifar com a sociedade.

Holofotes. Por isso, também, Pacheco ficou desnorteado. Os que presidirem e relatarem a CPI terão papel essencial e serão alçados ao noticiário diariamente, como na CPI dos Correios, que levou ao mensalão.

CLICK. Ministra da articulação política, Flávia Arruda (à esq.) recebeu a deputada de oposição Tabata Amaral (PDT-SP) no Planalto. Trataram da ampliação do Bolsa Família.

Reprodução/Instagram

Vacina em pauta. Na quarta-feira, 14, o ministro da Justiça, Anderson Torres, se reunirá pela primeira vez com os secretários de Segurança dos Estados – cargo que ocupava no DF antes de assumir o posto.

PRONTO, FALEI! 

Rodrigo Agostinho. FOTO: REILA MARIA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Rodrigo Agostinho, deputado federal (PSB-SP): “Os mesmos empresários que criticam a classe política no enfrentamento à pandemia, furam a fila da vacina e incentivam a injustiça social. Humanidade não se compra em farmácia.”

COM REPORTAGEM DE MARIANNA HOLANDA (INTERINA) E MARIANA HAUBERT. O COLUNISTA ALBERTO BOMBIG ESTÁ EM FÉRIAS E RETORNA DIA 19 DE ABRIL.

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