De olho no orçamento secreto, siglas disputam indicações para as vagas de ministros que serão candidatos

De olho no orçamento secreto, siglas disputam indicações para as vagas de ministros que serão candidatos

Camila Turtelli e Matheus Lara

31 de março de 2022 | 05h00

O ministro Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional. Foto: Adriano Machado/Reuters

As trocas na Esplanada dos Ministérios por causa das eleições deste ano provocaram embates entre partidos e o Palácio do Planalto nesta semana. As siglas se movimentaram e tentaram emplacar nomes, principalmente para as pastas com os cofres mais gordos, como o Ministério do Desenvolvimento Regional, para terem a garantia de que as emendas de relator, do orçamento secreto, serão pagas. O pagamento dessas emendas é muitas vezes usado como arma eleitoral pelos políticos para atrair votos em seus redutos nos Estados, o que as torna mais importantes e estratégicas neste período. Por enquanto, o governo está se programando para liberar R$ 16,5 bilhões neste ano, até dezembro.

BUFUNFA. Há ainda R$ 16,5 bilhões destas emendas do orçamento deste ano e outros R$ 18,8 bilhões de anos anteriores que ainda não foram pagos. Os valores fazem crescer os olhos das lideranças que querem garantir a reeleição em outubro.

PRESSA. Justamente por isso, há uma pressão para que a liberação da maior parte dos recursos aconteça antes das eleições. A lei eleitoral proíbe o pagamento de emendas nos três meses anteriores à disputa.

DE CASA. O governo, no entanto, deve priorizar a nomeação de secretários-executivos dos ministérios onde os titulares deixem o cargo. Com a saída de Tarcísio de Freitas do comando da Infraestrutura para concorrer ao governo de São Paulo, por exemplo, quem deve assumir é Marcelo Sampaio, que é também genro do ministro da Secretaria-Geral, Luiz Eduardo Ramos.

CLICK. Túlio Gadêlha, deputado federal (Rede-PE)

Após eleger apenas uma deputada em 2018 e temendo cláusula de barreira, Rede aposta em “puxadores de voto”. Ontem, filiou Túlio Gadêlha (PE).

TUCANOU. Desembarcando no PSDB hoje, o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia deve comandar a federação com o Cidadania no Rio e concorrer a vaga Câmara. Ele tem sido um dos principais conselheiros políticos do apresentador José Luiz Datena, que tem planos de concorrer ao Senado.

TOMA QUE O FILHO É TEU. O deputado Daniel Silveira não é mais considerado “problema” do União Brasil, internamente. Ele já comunicou seu desligamento ao líder da sigla na Câmara, Elmar Nascimento (BA), e deve migrar para o PL.

PROCESSO. As oitivas das testemunhas do caso Arthur do Val no Conselho de Ética da Assembleia de São Paulo começam na terça, 5. Ele indicou como uma das testemunhas a ex-namorada, Giulia, que terminou o relacionamento com o parlamentar após o vazamentos dos áudios sexistas.

CANSATIVO. Em vídeo exibido aos que participaram da pré-estreia do documentário O presidente improvável, em São Paulo, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) falou sobre seus anos de Presidência, ressaltando suas dificuldades.

ÔNUS. “É importante que a gente desnude como é difícil governar, não é fácil governar. É uma tarefa difícil que exige dedicação, e que exige compreensão de como as pessoas são. Exige muita conversa, muito diálogo”, disse FHC.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

 

PRONTO, FALEI! Daniel José, deputado estadual (Podemos-SP)

“Vamos para o 5º ministro da Educação em menos de 4 anos e em meio a uma crise educacional. Pagaremos a conta deste governo por muito tempo. Estamos à deriva.”

COLABOROU DANIEL WETERMAN

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.