Crise na Amazônia reaproxima Bolsonaro e militares

Crise na Amazônia reaproxima Bolsonaro e militares

Coluna do Estadão

24 de agosto de 2019 | 05h00

DIDA SAMPAIO/ESTADAO

A crise instalada em virtude da política ambiental de Jair Bolsonaro teve um efeito colateral: voltou a reunir ao redor do presidente as cúpulas das Forças Armadas. A narrativa de enfrentamento à ameaça à soberania do País uniu até aqueles que, nas coxias, tecem críticas às declarações desastradas do presidente e ao uso recorrente do Exército para resolver os pepinos. Os discursos dos militares estão alinhados ao de Bolsonaro nos dois eixos principais: minimizar a Europa no contexto internacional e lançar dúvidas sobre as ONGs na Amazônia.

Brasil… A preocupação dos militares é tão grande que o ex-comandante Villas Bôas, quando pede no Twitter para o Brasil se unir em torno de quem tem trazido luz ao debate, cita personalidades ligadas aos governos do PT, de Michel Temer e Fernando Henrique.

…acima de tudo. Entre eles, estão o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo (ex-PCdoB) e o general Alberto Cardoso, que chefiou o Gabinete de Segurança Institucional na gestão FHC.

Será? Circula no Planalto levantamento de gastos de ONGs apontando porcentual baixo na atividade-fim. Entre os militares, há quem defenda a abertura de uma CPI para o caso.

Não é bem assim. A pedido dos ministros Ernesto Araújo e Tereza Cristina, a campanha em elaboração na Secretaria de Comunicação vai organizar eventos com formadores de opinião nos países onde as críticas estão mais fortes.

Medo na floresta. ONGs relatam ameaças em cidades da Amazônia. As histórias vão de pneus rasgados e xingamentos a um grupo que deixou de atuar no local por receio de retaliação. A situação teria piorado muito nos últimos dias.

Novos tempos. O entorno de Roberto Campos está preocupado com os desdobramentos da transferência do Coaf para o Banco Central. A instituição, que até hoje conseguia se blindar de marolas políticas, está agora no olho do furacão.

CLICK. Jair Bolsonaro conversa com o general Pujol; presidente e militares se reaproximaram em defesa da soberania da Amazônia, mas ainda persistem rusgas.

Dida Sampaio/Estadão

Alternativa. Apesar de defender oficialmente um nome da lista tríplice para a Procuradoria-Geral da República, a força-tarefa da Lava Jato já tem um plano B: Lauro Cardoso.

Currículo. Embora seja procurador regional, Cardoso já foi delegado e assessor da ex-ministra Eliana Calmon. Tem apoio de parte da bancada do PSL.

Continuidade. Com a demora de Bolsonaro para definir o novo PGR, dois ministros do Supremo alimentam a esperança de Raquel Dodge ser reconduzida.

SINAIS PARTICULARES.

Pedro Guimarães, presidente da Caixa.

Kleber Sales

In… O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, vai acompanhar o primeiro sábado de pagamentos do saldo do FGTS em uma agência do banco no Piauí.

…loco. A ideia é ver de perto a operação e garantir que não haja problemas.

Procura-se. Não é só a Secretaria Nacional de Cultura que está vazia no ministério comandado por Osmar Terra. O secretário executivo da pasta, Felipe Sigollo, também pediu recentemente para sair.

Mais. Gleisi Hoffmann não será o único candidato da bancada de deputados federais do PT a presidente do partido. Paulo Pimenta tenta se viabilizar.

PRONTO, FALEI!

Rui Costa, governador da Bahia (PT): “Muitos países vão deixar de comprar produtos brasileiros por causa do descaso com o meio ambiente. Isso vai provocar desemprego”, sobre sanções europeias.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABORARAM ELIANE CANTANHÊDE E RAFAEL MORAES MOURA.

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