As consequências da CPI da Covid nas discussões do Orçamento

As consequências da CPI da Covid nas discussões do Orçamento

Marianna Holanda

09 de abril de 2021 | 09h51

O ministro da Economia, Paulo Guedes, autor da reforma da Previdência

A determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para o Senado instalar a ‘CPI da Covid’ deve trazer consequências na disputa pelo Orçamento de 2021. Para membros da articulação política do governo, a comissão servirá para pressionar ainda mais o ministro da Economia, Paulo Guedes, que busca uma peça orçamentária mais enxuta, e o Congresso deve sair fortalecido nas negociações.

Na leitura de assessores palacianos, a comissão parlamentar de inquérito tem potencial explosivo, e desagradar o Parlamento diante deste cenário não seria oportuno para o presidente Jair Bolsonaro, alvo de mais de 100 pedidos de impeachment na Câmara.

A CPI fortalece os argumentos de deputados e senadores, que buscam manter gorda fatia das emendas parlamentares. E mais: até agora, o Senado era preterido entre as duas Casas, sendo provavelmente o que mais perderia na disputa pelas emendas. Isso pode mudar ao longo do dia. 

Sem resolução até hoje, a peça orçamentária é alvo de disputa entre o entorno do ministro da Economia e o Congresso. Economistas chamam o texto aprovado de “peça de ficção”, que poderia, inclusive, levar o presidente Jair Bolsonaro a ser acusado de pedaladas fiscais.

Com a entrada do presidente Jair Bolsonaro ontem nas conversas, e nó do orçamento de 2021 começava a desatar, segundo relatos de quem acompanhou as discussões. Mas a decisão do ministro do STF Luis Roberto Barroso voltou a embaralhar as cartas.

Já estava pacificado que o presidente teria de vetar parcialmente trechos do orçamento e parlamentares perderiam emendas. Nos últimos dias, membros da equipe econômica e parlamentares envolvidos no orçamento trocaram acusações sobre quem seria o culpado pela “peça de ficção”.

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