CPI chega ao fim com Bolsonaro como incógnita eleitoral

CPI chega ao fim com Bolsonaro como incógnita eleitoral

Coluna do Estadão

13 de outubro de 2021 | 01h00

Apesar de até agora não ter apresentado novidade capaz de fazer crepitar o País, a CPI da Covid chega ao desfecho em consonância com o papel assumido no início dos trabalhos: carimbar Jair Bolsonaro como um gestor, cruel, ineficaz e omisso, o que dificulta ainda mais a situação eleitoral dele. Faltando um ano para a eleição e com base nos dados disponíveis, Bolsonaro terminará de atravessar o calvário imposto pela CPI sob dúvidas jamais imaginadas em abril, quando os trabalhos da comissão tiveram início: a) ele disputará a eleição?; b) se disputar, estará no segundo turno?

Desgaste ampliado. Em 13 de abril último, quando foi criada a CPI, Jair Bolsonaro era mal avaliado por uma fatia dos brasileiros em torno de 40%. Agora, seis meses depois, mais da metade dos entrevistados considera ruim ou péssima a gestão do presidente.

Cenário… Conforme os manuais clássicos das campanhas políticas, a situação de Bolsonaro é crítica.

…muito ruim. 1) a avaliação do governo e similares está abaixo dos índices que dão alguma chance a ele; 2) a inflação e o desemprego fomentam o “bad feeling factor”; 3) o desempenho do presidente na crise aguda e recente (no caso, a pandemia) foi pífio.

Inédito. A literatura da política e do marketing eleitoral ainda não conhecem um presidente que tenha sido reeleito com essa conjunção de fatores.

Guerra… Há, porém, um fator extra não medido em eleições anteriores: a guerra cultural do presidente (costumes, religião, teorias da conspiração etc), alavancada pelas redes sociais.

…de guerrilhas. Se Bolsonaro conseguir levar a agenda eleitoral para esse campo, como vem fazendo, inclusive com ajuda de parte da esquerda, as variáveis anteriores perdem força e ele volta a ter chances, diz quem conhece do riscado.

Máquina do tempo. No sobe e desce da CPI, é inegável que Renan Calheiros (MDB-AL) conseguiu um “reposicionamento de marca”. O relator tem brincado que voltou aos tempos de quando usava óculos de aro grande e cabelo comprido. Até para palestra em universidades foi convidado.

SINAIS PARTICULARES, Renan Calheiros, senador

Entre caprichos… Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, Carla Zambelli (PSL-SP) está pegando pesado: ameaça redistribuir os projetos que tramitam no colegiado se os deputados não entregarem relatórios em prazos determinados por ela.

…e chiliques. A medida não é usual nas comissões. Parlamentares de diversos partidos demonstram incômodo com o modo como a presidente se refere aos seus pares durante as reuniões deliberativas. O clima na comissão, claro, é tenso e muito beligerante.

CLICK. Marcelo Ramos, vice da Câmara dos Deputados, aproveitou o feriado para se exercitar treinando, na areia, os fundamentos do futebol. Mostrou habilidade.

Revide. Criticada por ter negado a ocorrência de corrupção sistêmica na Petrobras, Gleisi Hoffmann (PT) diz: “Assim como não provou nenhuma acusação contra Lula, a Lava Jato nunca provou o superfaturamento de contratos na Petrobras. Tudo que saiu da caneta de Moro é suspeito”.

Para lembrar. Ao menos três importantes ex-diretores da Petrobras foram condenados por corrupção, além de ex-gerentes. Alguns devolveram o dinheiro desviado da empresa. O termo “corrupção sistêmica” já foi empregado até por Luís Roberto Barroso.


PRONTO, FALEI

Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid

“Estamos vivendo uma ‘nova pandemia’: da fome, da miséria, e ela mata. Pobreza tem em qualquer lugar, miséria, não. Estamos vivendo um momento muito diferente e tem gente dizendo que está melhor.”

 

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.