Cortes no orçamento da Receita afetam Lava Jato e fronteiras

Cortes no orçamento da Receita afetam Lava Jato e fronteiras

Coluna do Estadão

27 Junho 2018 | 05h30

Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Receita Federal terá corte de R$ 125,8 milhões no seu orçamento, o que causará impacto significativo nos trabalhos do órgão. Nota técnica interna fala em “insuficiência orçamentária grave” e aponta que ações como fiscalização de fronteiras terão redução na verba. A medida também vai afetar a “força-tarefa da Lava Jato”. Haverá queda de 56,4% dos valores aplicados na modernização de TI, o que significa suspender licitações destinadas a adequar o Centro de Dados usado pelos auditores para trabalhar com informações dessa e de outras operações.

Tem mais. A nota técnica com críticas ao corte foi assinada pela coordenadoria-geral de orçamento da Receita. A área também alerta que os cortes vão prejudicar a arrecadação no momento em que a economia está em lenta recuperação.

Tesoura. Os cortes definidos pelo Planejamento atingem contrato da Receita com os Correios, responsável por entregar ações de cobranças. Só há dinheiro para manter o acordo com a estatal até outubro. Também serão fechadas 50 agências da Receita.

Com a palavra. Procurada, a Receita disse que não iria comentar. A Unafisco questionou o Ministério da Fazenda e estuda ingressar na Justiça com ação de improbidade administrativa alegando que os cortes violam a precedência orçamentária do órgão federal.

Deu Ciro. Entre os candidatos que o bloco de partidos de centro está avaliando apoiar na disputa presidencial, Ciro Gomes (PDT) é o que tem mais chances de vitória. É o que mostrou pesquisa contratada por DEM, PP, PRB e Solidariedade analisada ontem.

No jogo. Geraldo Alckmin (PSDB) e Alvaro Dias (Podemos) ficam atrás de Ciro, nessa ordem. O bloco de centro está dividido entre os três nomes. O tucano tem a preferência do DEM, mas só será escolhido se mostrar expectativa de vitória.

Recado? O presidente do PTB, Roberto Jefferson, consultou seus seguidores no Twitter sobre o que acham de uma candidatura de José Datena à Presidência da República. O petebista já declarou apoio a Alckmin, mas seu partido está insatisfeito com a escolha.

SINAIS PARTICULARES: Roberto Jefferson, presidente do PTB; por Kleber Sales

Na pauta. O presidente Michel Temer recebe esta semana representantes de editoras. O setor enfrenta dificuldades financeiras e demonstra preocupação com a situação da Saraiva, uma das maiores distribuidoras do País, que registrou prejuízo de R$ 33 milhões em 2017.

Saída. Em conversas informais, Temer já sinalizou que vai tentar socorrer o setor. Uma solução pode vir de linhas de crédito do BNDES. Há preocupação também com as contas da ABL e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

CLICK. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, receberam ontem, em agendas separadas, a diretoria da Ajufe, que pediu a votação de projetos de interesse dos juízes federais parados nas duas Casas.

FOTO: Ajufe/divulgação

Em campo. Em todas as partidas da seleção brasileira na Copa, dois policiais federais acompanham os jogos no estádio. Eles dão assistência aos torcedores brasileiros e, na semana passada, chegaram a cumprir um mandado de prisão. Viajaram para a Rússia um delegado e quatro policiais.

Que dia! O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, ficou ainda mais isolado ontem. Celso de Mello – que costuma acompanhar seu voto nas sessões da 2.ª Turma – não compareceu.

COM A PALAVRA: 

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

“Nós vivemos numa república de suspeitos. Os que não são hoje poderão ser transformados amanhã”, DO MINISTRO DO TCU, JOSÉ MÚCIO MONTEIRO, durante o julgamento sobre o Decreto dos Portos.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA. COLABORARAM DAVID FRIEDLANDER, BRENO PIRES E VERA ROSA

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