Corpo de empresário não tem sinais de violência, dizem fontes da investigação

.

Daniel Carvalho e Andreza Matais

22 de junho de 2016 | 22h51

O corpo do empresário Paulo César de Barros Morato, alvo da Operação Turbulência encontrado na noite desta quarta-feira, 22, em um motel chamado Tititi, em Olinda, na região metropolitana do Recife, não apresenta sinais de violência, de acordo com fontes ligadas a investigação ouvidas pela Coluna do Estadão. Os investigadores encontraram comprimidos no quarto. Morato constava da lista de foragidos da Interpol e era alvo de pedido de prisão na operação deflagrada na terça-feira, 21, pela Polícia Federal.

Investigadores estão preocupados com o fato de o grupo investigado ser muito forte politica e economicamente. Há informações de que os investigados já ingressaram com pedidos de Habeas Corpus na Justiça de Pernambuco.

A Polícia Federal o apontou como “testa-de-ferro” de um esquema de lavagem de dinheiro que desviou R$ 600 milhões. A lavanderia foi descoberta a partir de investigação sobre os proprietários do avião usado pelo ex-governador Eduardo Campos na campanha presidencial de 2014. Uma das linhas apuradas é o uso do esquema de lavagem para caixa dois de campanhas de Campos ao governo, em 2010, e à presidência em 2014, quando disputou como titular da chapa de Marina Silva (Rede).

Os investigadores apontam Morato como “responsável” pela Câmara & Vasconcelos, empresa que comprou a aeronave que vitimou Campos e é apontada como fantasma pela PF. Essa firma recebeu créditos de quase R$ 19 milhões remetidos pela Construtora OAS.

Ele também seria “ligado a outras firmas receptoras de recursos provenientes das empresas de fachada utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro engendrado por Alberto Youssef com relação ao pagamento de vantagens indevidas decorrentes da execução de obras da Petrobrás.” Youssef é delator da Operação Lava Jato.

Ele ainda era acusado de cooptar outros laranjas para o esquema. “Não só compõe o quadro societário de empresas fantasmas ou emprestam sua própria conta pessoal para recebimento e movimentação dos recursos espúrios, mas também coopta outros “laranjas” para o mesmo mister.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: