COP-26 expõe vácuo de comando em temas ambientais no Brasil

COP-26 expõe vácuo de comando em temas ambientais no Brasil

Matheus Lara

13 de novembro de 2021 | 05h00

Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite foi alvo de protesto na quinta, 12, em Glasgow durante sua participação na COP-26. Foto: Scott Heppell/AP

A participação do ministro Joaquim Leite na COP-26 em Glasgow deixou evidente o vácuo de comando sobre os temas ligados ao meio ambiente no País. A leitura de lideranças que estiveram no pavilhão é que o Brasil, além de simbolicamente chegar “atrasado” às discussões (Leite só participou presencialmente dos últimos dias de conferência), não conseguiu diminuir desconfianças da comunidade internacional (na quinta, 11, disse que ainda “precisava entender melhor” sobre desmate da Amazônia).

No meio-tempo, quem se adiantou e reivindicou protagonismo no evento foram governadores, prefeitos, parlamentares, lideranças da sociedade civil e empresários, com lançamentos de fundos e reuniões que foram usadas também para tentar “limpar”, pelo menos um pouco, a imagem do País.

Highlights. Alguns momentos da conferência foram considerados emblemáticos neste quesito, como o lançamento do Consórcio Brasil Verde, presidido por Renato Casagrande (PSB-ES), o encontro de lideranças com o príncipe Charles e os painéis sobre desenvolvimento econômico com responsabilidade ambiental.

Ação. O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), por exemplo, anunciou um investimento de R$ 472 milhões em bioeconomia; parte desse montante será usado para criar o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia. João Doria (PSDB-SP) também usou a COP-26 para anunciar um fundo de R$ 100 milhões para conservação e desenvolvimento de pesquisas na região.

Em Glasgow, o governador do Pará Helder Barbalho se encontrou com Puyr Tembé, presidente da Federação dos Povos Indígenas do Pará (à esq.), Shirley Djukurnã Krenak, liderança indígena de Minas Gerais, e Ursula Vidal (dir.), secretária de Cultura do Estado do Pará.

Falta. Da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP): “A ausência do governo foi notada por todos. No stand oficial do governo, pouco aconteceu (até a reta final de conferência). Já no stand do Brazil Action Hub, ativistas, governos locais, setor privado e parlamentares tiveram conversas produtivas. Está claro que há duas visões de Brasil distintas.”

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