Contradições e ‘guerra cultural’ do presidente

Contradições e ‘guerra cultural’ do presidente

Coluna do Estadão

28 de março de 2020 | 05h00

O presidente Jair Bolsonaro em pronunciamento nesta terça-feira, 24 Foto: Presidência da República / Divulgação

Quando o País ainda buscava assimilar as medidas anunciadas por Paulo Guedes, Jair Bolsonaro minimizava mortes pela covid-19 e deixava atônitos os mundos político e jurídico. Em contraste com a atuação da Economia e da Saúde (diligentes quanto à importância e ao efeito da quarentena), o presidente confirmou para governadores e parlamentares ouvidos pela Coluna que há método na cacofonia: manter fãs mobilizados na “guerra cultural” enquanto ministros atuam. Ontem, porém, cresceu a sensação de que ele rompeu todos os limites.

Amor… Marco Aurélio Mello, ministro do STF, vocalizou sua preocupação: “O momento é de serenidade, temperança, compaixão, compaixão. Não podemos acirrar os ânimos. Isso é muito ruim”.

…ao próximo. “A sociedade está sofrendo. Vamos esperar que a ficha caia e ele perceba, compreenda o contexto que nós estamos atravessando, uma crise muito forte, é o que esperamos do presidente da República”, disse o ministro.

Fique em casa. Sobre as regras de isolamento, Marco Aurélio acha que elas são “a única forma de se conter o vírus”. “No contato direto, não sei o que haverá”, completou.

Basta? Em grupos privados de políticos, foi intensa a troca de mensagens sobre a necessidade de se estabelecer um limite à escalada do presidente, não apenas retórica, mas, agora, também, prática.

CLICK. A votação virtual da Câmara nesta semana teve o plenário praticamente vazio enquanto Rodrigo Maia usava diversos dispositivos para conduzir a sessão.

Reprodução/Câmara dos Deputados

Mais um. A OAB protocolou denúncia no TCU contra o Planalto por causa do vídeo com o slogan “O Brasil não pode parar”. O PSB e o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) também acionaram o tribunal. O governo Bolsonaro nega que tenha sido o autor da peça publicitária.

Direto… A filiação de Flávio Bolsonaro ao Republicanos é pragmática. Além de seguir o irmão, Carlos, e a mãe, Rogéria, o senador volta a ter direito de participar de comissões no Senado.

…e reto. Também ajuda o partido no caminho para obter liderança na Casa. O Republicanos tem dois senadores: Flávio (RJ) e Mecias de Jesus (RR). Falta um para ter direito a líder.

Luz. O presidente da São Paulo Negócios, Aloysio Nunes, reuniu 120 pequenos e médios empresários e ouviu deles a grande preocupação: obter crédito para capital de giro. “Muitos não sabem como manter os empregos e pagar as contas”, disse Nunes. A agência iniciou programa em busca de soluções contra a crise.

Em casa. O Ministério Público deve acompanhar o Judiciário no trabalho a distância: Otávio Luiz Rodrigues determinou as novas regras liminarmente, mas já encaminhou para Augusto Aras minuta regulamentando o home office.

Data venia… Com a Justiça praticamente parada, grandes advogados do País aproveitam algum tempo livre no confinamento para deixar o “juridiquês” de lado e trocar impressões sobre música, artes em geral e jogos nos grupos criados pelo coletivo Prerrogativas.

…liga o som. Segundo colegas, o criminalista Fábio Tofic, por exemplo, é dos mais ativos na turma da música. Kakay, Flávia Rahal, Pedro Carriello e Marco Aurélio de Carvalho também participam dos fóruns de debate.

SINAIS PARTICULARES
Fábio Tofic, advogado criminalista

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI! 

Foto: Divulgação

Marcos Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos da PF: “Servidores públicos da Lava Jato recuperaram R$ 1,6 bi que vão ajudar a combater a pandemia. Mas quem quer rifar o Brasil chama o servidor de parasita.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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