Consórcio pagou R$ 18 milhões em propina para ficar com obra de R$ 900 milhões

Consórcio pagou R$ 18 milhões em propina para ficar com obra de R$ 900 milhões

Operação Abismo identificou formação de cartel para vencer licitação na Petrobrás

Andreza Matais

04 de julho de 2016 | 09h02

centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES). Foto: Petrobrás

Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES). Foto: Petrobrás

A Operação Abismo, deflagrada nesta segunda-feira pela Polícia Federal, foca nas seguintes obras de construção civil: Sede Administrativa em Vitória-ES, Centro Integrado de Processamento de Dados (CIPD), no Rio de Janeiro-RJ, e o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (CENPES), também no Rio de Janeiro-RJ.

Os investigadores chegaram ao esquema de corrupção por meio de acordos de leniência e de colaboração celebrados com a empresa Carioca Engenharia e seus principais executivos. Os depoimentos indicaram que as principais empreiteiras participantes daquelas licitações formaram cartel para definir o preço das obras e frustar a competição.  As informações foram confirmadas por outros delatores.

A Construtora OAS, Carioca Engenharia, Construbase Engenharia, Schahin Engenharia e Construcap CCPS Engenharia, integrantes do Consórcio Novo Cenpes, ficaram com a obra do Cenpes. Elas pagaram, segundo as investigações, R$ 18 milhões para a WTorre, que ofertara valor menor, desistisse da obra. O consórcio assinou o contrato em 21/01/2008 com a Petrobras no valor de R$ 900 milhões.

O cartel também ofereceu propina a funcionários da diretoria de Serviços da Petrobrás e ao tesoureiro do PT na época, Paulo Ferreira. Ele, que já está peso alvo de outra operação, teve novo mandado de preventiva cumprido hoje.

Conforme os investigadores, entre 2007 e 2012 foram identificados pagamentos de R$ 16 milhões a Adir Assad, R$ 3 milhões para Roberto Trombeta e Rodrigo Morales, USD 711 mil para Mario Goes e R$ 1 milhão para Alexandre Romano. Este último disse em delação premiada que recebeu o valor em nome de Paulo Ferreira.

 

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