Congresso também capitaliza o auxílio emergencial, indica pesquisa

Congresso também capitaliza o auxílio emergencial, indica pesquisa

Coluna do Estadão

30 de setembro de 2020 | 05h00

Foto: Estadão

Pesquisa exclusiva da Quaest Consultoria traz dados surpreendentes para quem tenta medir os bons índices de avaliação de Jair Bolsonaro apenas pela régua do auxílio emergencial: 48% dos entrevistados disseram que o Congresso é o responsável pela transferência direta de recursos aos necessitados (R$ 600 mensais no início e R$ 300 agora). Outros 40% atribuem o benefício a Bolsonaro. A pesquisa mostra ainda o tamanho do desafio para o presidente em relação ao futuro: 76% dizem que o auxílio tem de permanecer até o fim da pandemia da covid-19.

Sinal amarelo. O dado mais preocupante para o governo é: 66% atribuem a Bolsonaro a responsabilidade pela redução no valor do auxílio. Ou seja, se não colocar em pé o Renda Cidadã, o presidente corre sérios riscos também de ser identificado com a suspensão do benefício emergencial.

Virou o jogo. Para Felipe Nunes, cientista político, professor da UFMG e diretor da Quaest, o Congresso está conseguindo capitalizar sua participação decisiva na criação da medida.

Divisão. “Bolsonaro cresceu com o auxílio? Cresceu. Mas menos do que poderia ter crescido porque o Congresso também está levando a fama”, diz Nunes.

Dados. No cenário que questionou quem é o responsável pelo auxílio, 2% disseram ser os governadores e 10% não souberam ou não quiseram responder. A pesquisa contou com 1.000 respondentes, entre os dias 21 e 24 deste mês, dos 26 Estados e Distrito Federal.

Do além? O nome escolhido por Jair Bolsonaro para seu projeto social, Renda Cidadã, é o mesmo de programa do governo de Mario Covas (1930-2001) em São Paulo. Um amigo de Covas arrisca: o tucano deve estar se revirando no túmulo.

Time… Representantes dos clubes da Série B do Brasileirão serão recebidos por Bolsonaro hoje. Pedirão a aprovação da “Lei do Mandante” (das partidas).

…unido. André Figueiredo (PDT-CE), líder da oposição na Câmara, e Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo, declararam apoio à MP 984. Agora, falta Rodrigo Maia pautar o texto para a votação. Quando?

SINAIS PARTICULARES.
André Figueiredo, deputado federal (PDT-CE)

Ilustração: Kleber Sales

Somou. O vídeo que Jilmar Tatto gravou em apoio a Guilherme Boulos (PSOL) tinha batido até esta terça-feira (29/09) 16 mil visualizações no Instagram. É o melhor desempenho do candidato petista a prefeito da capital paulista na rede social.

Somou 2. Tatto se solidarizou com Boulos porque seu adversário eleitoral foi intimado pela PF a prestar depoimento por causa de críticas a Bolsonaro.

CLICK. Luciano Huck publicou vídeo em suas redes vestindo camiseta do Parque Nacional de Jericoacoara (CE): o gesto foi lido como protesto contra Ricardo Salles.

Reprodução/Instagram

Adeus. A Operação Si$tema S provocou baixa no time de Ibaneis Rocha. O governador do DF exonerou Everardo Gueiros, secretário de Projetos Especiais. Everardo é genro de Kennedy Braga, nome que abre portas no governo distrital.

Motivos. Apesar de não ter sido denunciado pelo Ministério Público, Gueiros foi citado na investigação como tendo auxiliado Orlando Diniz, pivô da operação, a contratar o escritório de Roberto Teixeira, advogado de Lula.

PRONTO, FALEI! 

Luiz Felipe d’Ávila, fundador do CLP. Foto: Werther Santana/Estadão

Luiz Felipe D’Ávila, fundador do Centro de Liderança Pública: “Desastre para o País, que precisa conquistar a confiança de investidores para garantir a retomada do emprego e da renda”, sobre o custeio do Renda Cidadã.

COM ALBERTO BOMBIG E MARIANA HAUBERT. COLABOROU RICARDO GALHARDO.

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