Confusão no Supremo deve atrapalhar plano do PT

Confusão no Supremo deve atrapalhar plano do PT

Coluna do Estadão

21 de abril de 2019 | 05h00

Ex-presidente Lula, preso desde abril de 2018. FOTO: SERGIO CASTRO/ESTADÃO

Parlamentares e dirigentes do PT estão preocupados com os efeitos colaterais da confusão no Supremo. Acham que a animosidade entre os ministros, agravada pelos caminhos e descaminhos do inquérito aberto por Dias Toffoli para investigar notícias falsas e pelo episódio da censura, pode inviabilizar qualquer tentativa de análise pela Corte da prisão em segunda instância, uma das portas que Lula sonha destravar juridicamente para deixar a prisão. O julgamento, considerado nitroglicerina pura, foi adiado e não tem data para voltar à pauta do STF.

Timing… A atuação da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no episódio do inquérito aberto pelo STF foi criticada reservadamente por um dos pré-candidatos ao comando do órgão, que avaliou como tardio o pedido pelo arquivamento do processo.

… é tudo. Essa visão não é unânime. Os gestos em defesa da categoria feitos pela procuradora-geral foram bem recebidos em parte expressiva do MPF. No frigir dos ovos, Raquel sai fortalecida com o recuo do STF no caso da censura.

Deu ruim. Um importante advogado, profundo conhecedor do jogo entre os Poderes, observa que o único resultado prático do inquérito do STF até agora foi transformar em defensor radical das liberdades quem até bem pouco tempo falava em fechar a Corte.

SINAIS PARTICULARES
Tarcísio Freitas, ministro da Infraestrutura

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Quem se salva… Transcorridos quase quatro meses de governo Jair Bolsonaro, é consenso no Congresso que o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) está entre os poucos a apresentar a sonhada eficiência administrativa.

… nessa brasa. Tarcísio, no entanto, foi colocado pelo governo no meio do enrosco com os caminhoneiros. É um dos responsáveis por negociar um pacote de bondades para ver se sossega a categoria. Terá de demonstrar muita habilidade política para a missão.

Sem vaga. A decisão do governador João Doria (SP) de não usar o Instituto Teotônio Vilela, braço formulador do PSDB, para composição política no arranjo partidário surpreendeu a velha guarda tucana, que espera alojar por lá um dos seus mais eminentes nomes.

CLICK. Os parlamentares fluminenses Benedita da Silva (PT) e Helio Bolsonaro (PSL), oposição e governo, conversando em clima de paz no cafezinho da Câmara.

Dose… Mesmo os governadores mais otimistas começam a ter dificuldades em acreditar que a reforma da Previdência será votada (e aprovada) na Câmara ainda no primeiro semestre deste ano, como planejava inicialmente a equipe econômica de Bolsonaro.

… de realidade. Por isso, muitos governadores, apertados com a crise, querem iniciar a próxima semana pressionando o Ministério da Economia pela liberação de algum socorro financeiro aos Estados, até agora condicionado à aprovação da reforma no Congresso.

Não está fácil… O senador Marcos do Val (Cidadania-ES) tem achado pouco o seu salário como senador, que rende cerca de R$ 33,7 mil bruto. Nos finais de semana, vai retomar as palestras motivacionais como “instrutor da Swat”.

… pra ninguém. Foi nesse papel que ele ganhou impulso para a carreira na política. Segundo conta, a cada horinha no palco, recebe cerca de R$ 20 mil. Do Val, no entanto, jamais pertenceu ao famoso esquadrão norte-americano de polícia.

Com a palavra. O senador Marcos do Val (Cidadania-ES) afirma que jamais desmereceu “o subsídio recebido para representar os interesses dos capixabas e do Brasil no Senado Federal” e que nunca afirmou “ter pertencido à SWAT norte-americana como agente”, mas que atuou no mesmo como instrutor por quase 20 anos. Alega que sua conversa teria gerado “informações distorcidas”. Do Val disse ainda que sua atividade como palestrante é “legítima, apoiada em anos de experiência e sem qualquer restrição no plano legal”.

PRONTO, FALEI!

Deputado Marcel Van Hattem. FOTO: CRISTIANO GUERRA

Marcel Van Hattem, deputado federal (Novo-RS): “A gente espera que o governo não ceda um centímetro na questão fiscal e nos outros temas”, sobre a votação da reforma da Previdência na CCJ.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA E BRENO PIRES

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao