Como o coronavírus mudou a rotina dos Poderes

Como o coronavírus mudou a rotina dos Poderes

Coluna do Estadão

23 de março de 2020 | 13h26

Na casa da líder do PSL, Joice Hasselmann (SP), todos têm de limpar as mãos com álcool ao entrar

Tipicamente conhecido pelos tapinhas nas costas e apertos de mão, o mundo político teve que alterar suas rotinas em Brasília por causa do avanço do coronavírus na última semana.

No Planalto, em todas as reuniões com Jair Bolsonaro, a utilização da máscara era obrigação de todos – resta saber se de forma correta.

Até o começo da semana, os militares do Palácio, os que têm menos de 60 anos e não são ministros, andavam dando uma de “machões”, segundo palacianos.

Eles diziam que não cumprimentar era “frescura” e se recusavam a usar máscaras. Só quando o covid-19 chegou até no chefe do GSI, Augusto Heleno, houve uma mudança de hábitos. Todos da Pasta foram, inclusive, se testar depois.

No Palácio onde despacha Bolsonaro, há um temor de contágio constante – na comitiva do presidente, 22 testaram positivo, até o momento. A maioria dos ministérios palacianos liberou apenas seus funcionários de risco para home office.

Já nos tradicionais encontros na casa de Rodrigo Maia, deputados evitaram dividir os mesmos sofás e foram orientados a lavar as mãos e a usar álcool gel.

Já a líder do PSL, Joice Hasselmann (SP), obrigou todos os que foram à sua casa para encontros a limpar bem as mãos com álcool gel. Ela também disse estar limpando os espaços comuns duas vezes ao dia.

O ministério do Turismo, que ocupa parte do prédio do de Minas e Energia, teve que mudar de lugar, porque, com o teste positivo do ministro Bento Albuquerque, o edifício será limpo. O titular do Turismo divide andar com Regina Duarte agora.

Márcelo Álvaro Antônio acabou de voltar de Portugal e testou negativo para o covid-19, mas ainda assim tem evitado ao máximo o contato com quem não é da sua equipe direta.

Hierarquicamente abaixo de Álvaro Antônio, a secretária chegou a oferecer a sua sala, com banheiro privativo e vista privilegiada, mas o ministro cordialmente negou. Ele e sua equipe despacham da sala do secretário-adjunto, terceiro escalão.

MARIANNA HOLANDA E MARIANA HAUBERT. COLABOROU MATEUS VARGAS.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.