Com Renan, governo deve ‘sangrar’ em CPI

Com Renan, governo deve ‘sangrar’ em CPI

Coluna do Estadão

20 de abril de 2021 | 05h00

Senador Renan Calheiros (MDB-AL). FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO – 2/2/2019

Renan Calheiros tem dito a interlocutores que pretende atuar na CPI no sentido de produzir um relatório “cirúrgico” na exposição de eventuais crimes e omissões do governo federal no combate à covid-19. O senador, por ora, rejeita falar em impeachment ou em qualquer ação drástica antes mesmo de iniciadas as apurações, claro. Ademais, Renan hoje faz parte da turma do “vamos deixar Jair Bolsonaro sangrando até 2022”. Ou seja, na melhor hipótese para o presidente, o texto final será no sentido de afrouxar o garrote e desatar a sangria.

Ele, não. Não é por outro motivo que a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) tenta, via Justiça, retirar Renan Calheiros (MDB-AL) da relatoria da comissão.

Eu, sim. Em sentido contrário, Renan atua nos bastidores para que a comissão comece a funcionar o mais rapidamente possível.

Será? Apesar de o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), ter ligado para dizer que o Planalto aceitou Renan na relatoria, no entorno do senador o gesto ainda é visto com desconfiança. A leitura é de que o governo continuará tentando emplacar alguém palatável no cargo.

Sem pressa. Após o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ter sinalizado a senadores que não iria instalar a CPI nesta semana, como havia dito anteriormente, o senador Otto Alencar (PSD-BA) assinou a convocação para que a comissão se reúna no dia 27 de abril, de forma semipresencial.

Grato. O maior beneficiário desse adiamento é o governo, que ganha tempo para tentar trocar Renan.

Vai longe? A expectativa no Congresso é de que a CPI, com prorrogações, pode durar até dezembro, às portas do ano eleitoral…

Cadê? Senadores aliados ao governo reclamam da falta de articulação do Palácio do Planalto em relação à atuação na CPI. Dizem que o governo ainda não os procurou diretamente.

CLICK. No Dia do Índio, a deputada Joênia Wapichana em audiência pública que discutiu a imunização de seu povo. Segundo ela, 1.039 índios já morreram de covid.

Reprodução/Instagram

Luto. Homem forte no Planalto, o almirante Flávio Rocha perdeu a mãe para a covid-19 na sexta-feira, 17. Ele ocupa a Secretaria de Assuntos Estratégicos e a Secretaria de Comunicação.

Presença… Em boletim epidemiológico do STF, Wanderson de Oliveira diz que a partir da primeira semana de maio poderá haver “retorno gradual às atividades presenciais” na Corte. Servidores ficaram apreensivos com a proposta.

…em plenário. Procurada, a assessoria do Supremo disse que “trata-se de uma opinião técnica baseada em projeções”. O eventual retorno deve ser discutido com a administração do tribunal e decidido pelo presidente Luiz Fux.

Bom exemplo. Os prefeitos de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e de Araraquara, Edinho Silva, falarão a gestores municipais sobre as regras de isolamento social no combate à covid-19 em evento virtual nesta terça-feira, 20, organizado pela ImpulsoGov, organização sem fins lucrativos.

Rede. A entidade já conversou com a Frente Nacional de Prefeitos, governadores e secretários de Saúde sobre medidas restritivas.

Domador. A ideia de lançar Tasso Jereissati como pré-candidato ao Planalto foi assim definida por um colega do senador: ele é especialista em adestrar tucanos rebeldes e nervosinhos.

SINAIS PARTICULARES.
Tasso Jereissati, senador (PSDB-CE)

Ilustração: Kleber Sales

 

PRONTO, FALEI!

Rodrigo de Castro

Câmara dos Deputados

Rodrigo de Castro, líder do PSDB na Câmara (MG): “O compromisso de zerar o desmatamento até 2030, apresentado pelo governo brasileiro aos EUA, é importante. Mas a prática, nos últimos tempos, tem sido diferente. A precarização dos órgãos de fiscalização, por exemplo, é um incentivo ao desmatamento e às práticas ilegais.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE.

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