Com ou sem Regina, guerra cultural seguirá

Com ou sem Regina, guerra cultural seguirá

Coluna do Estadão

18 de janeiro de 2020 | 05h00

Foto: Iara Morselli

A demissão de Roberto Alvim e a péssima repercussão do malfadado vídeo com alusões ao nazismo foram um revés para a guerrilha bolsonarista, mas não deverão motivar um cavalo de pau no rumo da política cultural do governo, dizem aliados de Jair Bolsonaro. Até porque Alvim vinha sendo saudado pelo próprio presidente, celebrado pelo núcleo ideológico e apontado como modelo de gestor para outras áreas do governo. A ordem de preencher cargos na Cultura e na Educação com soldados da causa bolsonarista está mantida, segundo os aliados.

Vaga. É claro que Regina Duarte, se aceitar o convite do presidente, terá mais autonomia e “bom senso” do que Alvim, dizem esses aliados. Mas o grosso das nomeações de primeiro e segundo escalões continuará nas mãos do clã e de seus influentes conselheiros.

A ver. Apesar da amplitude do caso, foi bem avaliada por diplomatas e parlamentares a rapidez com que Bolsonaro respondeu com a demissão. Acham que não haverá mais grandes repercussões.

Quem manda. Marcelo Álvaro Antônio não participou da decisão do destino de Alvim. Foi informado, segundo auxiliares, por um ministro palaciano. O ministro do Turismo nem sequer questionou o veredicto. O caso era “indefensável”, disse um interlocutor.

In. Um dos auxiliares que participaram das conversas em torno da demissão foi Célio Faria Júnior, assessor próximo de Bolsonaro, da ala ideológica conhecida como “gabinete do ódio”.

Solo sagrado. Além da preocupação com a comunidade judaica, a demissão de Alvim foi também uma sinalização ao eleitorado evangélico de Jair Bolsonaro, fortemente ligado a Israel.

SINAIS PARTICULARES. 
Roberto Alvim, ex-secretário de Cultura

Ilustração: Kleber Sales

Fora do armário. O PSDB não perde mais chances de bater em Bolsonaro e Lula juntos e misturados. Lembrou que o ex-presidente petista disse em entrevista antiga admirar Adolf Hitler.

Fala… João Doria deu assento privilegiado a Orlando Morando (PSDB) na reunião de ontem do secretariado estadual. A escolha do prefeito de São Bernardo, berço do PT, foi simbólica: a região é estratégica para o governador de SP nas eleições municipais.

…que eu escuto. A cada semana um prefeito paulista deverá ser convidado a participar do encontro do primeiro escalão. A ideia do governo é discutir com eles os projetos e as prioridades para suas regiões.

CLICK. Depois de decidir sobre Alvim, Bolsonaro participou de almoço preparado pelo ‘masterchef’ do Planalto, o servidor André Boratto. Com palacianos, comeu uma moqueca de camarão.

COLUNA DO ESTADÃO

Pero no mucho. No arranjo interno do PT, finalizado ontem, Rui Falcão acabou fora da Secretaria de Relações Internacionais do partido, como era esperado. O deputado e ex-presidente da sigla, que não é próximo a Gleisi Hoffmann, tem posição diferente da cúpula petista a respeito da Venezuela de Nicolás Maduro.

Bate… O Vetor Brasil reúne na segunda-feira os governadores e agora também “presidenciáveis” Eduardo Leite (PSDB-RS) e Flávio Dino (PCdoB-MA) para uma longa conversa em São Paulo.

…papo. De acordo com a entidade, que pré-seleciona e desenvolve profissionais públicos em parceria com governos de todo o País, a ideia é promover a tolerância política e discutir a importância do diálogo democrático para o aperfeiçoamento da gestão pública.

PRONTO, FALEI!

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Marco Aurélio Mello, ministro do STF: “Retrocesso cultural e democrático é proibir. Se alguém comprometer o governo, que o governo o afaste. Mordaça, não”, sobre a ação contra Roberto Alvim.

COM MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

Coluna do Estadão
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: