Com Lula na frente, PT vê com cautela ideia de mudar regra do impeachment

Com Lula na frente, PT vê com cautela ideia de mudar regra do impeachment

Coluna do Estadão

16 de setembro de 2021 | 05h00

A ideia de utilizar a CPI da Covid para propor mudanças no instrumento do impeachment preocupa o PT, ainda sequelado pelo processo que tirou Dilma Rousseff do Planalto. Em privado, o partido analisa com enorme cautela a ideia porque sabe que hoje ela serve para desgastar Jair Bolsonaro, mas, lá na frente, pode ser usada contra Lula, líder nas pesquisas de intenção de voto. Justamente por isso, governistas ouvidos pela Coluna acreditam que a ideia de mudar a lei não irá adiante e servirá só para dar palanque à cúpula da comissão do Senado.

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Calor do debate. Em privado, líderes do Legislativo comparam a proposta de mudar a lei do impeachment à famosa novela da “prisão após condenação em segunda instância”, que, sob o calor da Lava Jato, virou o País de cabeça para baixo, incluindo o STF.

Contexto. A proposta, encampada por Renan Calheiros (MDB-AL), estabelece tempo mínimo para o presidente da Câmara analisar denúncias oriundas da CPI.

Contexto 2. Se o prazo não for cumprido, caberá ao plenário decidir. A mudança na lei depende de aprovação no Congresso.

Radar. Se a proposta de mudança na lei não preocupa o Planalto, a aliança da CPI com o grupo de juristas encabeçado por Miguel Reale Júnior, sim. Um relatório final da comissão robusto e embasado poderá deixar Bolsonaro ainda mais dependente de Arthur Lira e de Augusto Aras.

Bíblia. Omar Aziz escolheu a Constituição para celebrar o Dia Internacional da Democracia: “Procurei alguns livros pra indicar, porém nenhum supera as regras que definem os rumos da nossa nação. Fomos forjados por homens que enxergavam um Brasil grande e de futuro brilhante”.

SINAIS PARTICULARES. Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Vez deles. A discussão sobre aderir aos atos de 2 de outubro contra Bolsonaro, convocados pelo PT e grupos de esquerda, pôs organizadores dos protestos de 12 de setembro para experimentar o “outro lado” do que foi o dilema de petistas sobre estar ou não na rua no domingo passado.

Sem clima. MBL e Vem Pra Rua ainda não bateram o martelo, mas internamente a avaliação é de que não está nem um pouco perto um trégua com o PT a ponto de deixar de lado as rivalidades em prol da união contra o presidente.

Dedo apontado. Integrantes do MBL minimizam as prováveis críticas de que a união contra Jair Bolsonaro só valeria se fosse em ato organizado por eles. Ao desacreditar o protesto do último domingo, petistas fizeram a mesma coisa.

Mudança… O presidente da seccional capixaba da OAB, José Carlos Rizk Filho, diz que o processo de integração de comarcas encabeçado pelo TJ-ES pode afetar o acesso dos mais pobres à Justiça.

…gradual. Se a mudança fosse implementada, 27 municípios perderiam seus fóruns imediatamente. Decisão do CNJ determinou que a integração não acontecerá de forma abrupta: o atendimento presencial deve continuar enquanto processos forem digitalizados.

CLICK. A ministra Flávia Arruda (Governo), ao lado de Fábio Faria (Comunicações), recebeu o prêmio Marechal Rondon: “Admiração aos comunicadores”, disse ela

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

PRONTO, FALEI!

Arthur Maia (DEM-BA), deputado federal

“Todos que trabalham na iniciativa privada são avaliados. É razoável que isso também aconteça no serviço público”, sobre avaliar desempenho de servidores.

Foto: Agência Câmara

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