Com economia ruim, Bolsonaro dobra a aposta na pauta ultraconservadora

Com economia ruim, Bolsonaro dobra a aposta na pauta ultraconservadora

Coluna do Estadão

16 de novembro de 2021 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: ALI HAIDER/EFE/EPA

A performance de Jair Bolsonaro em Dubai confirma as suspeitas de adversários e apoiadores: se Paulo Guedes não produzir um milagre, restará ao presidente apostar na realidade paralela e na guerra cultural para chegar ao segundo turno. As afirmações sobre a prova do Enem “ter a cara do governo” não surpreenderam quem acompanha os monólogos de Bolsonaro País afora, especialmente para audiências evangélicas. Após lembrar que seu maior feito foi ter vencido Fernando Haddad (PT) no segundo turno, o presidente costuma dizer que a ameaça esquerdista ainda paira no ar, faz críticas ao Enem, ao conteúdo dos livros didáticos e diz que o futuro dos “nossos jovens” está em risco.

CARTILHA. Segundo apurou a Coluna, Bolsonaro foi aconselhado por Steve Bannon a investir na agenda ultraconservadora dos costumes, principalmente nas discussões sobre gênero, radicalizando o discurso de 2018, para polarizar o debate com a esquerda e deixar o centro falando sozinho de ajuste fiscal, reformas, etc.

SACADA. Não foi por outro motivo que o clã Bolsonaro abraçou a defesa do jogador de vôlei Maurício Souza, demitido de um clube mineiro após comentários homofóbicos.

APERITIVO. Em entrevista recente à rádio Jovem Pan, Bolsonaro disse: “Não pode na escola aproveitar um ambiente restrito e um professor começar a falar de coisas que os pais não querem, falar para o Joãozinho que ele não é menino”. Nos cálculos bolsonaristas, a agenda conservadora pode garantir uns 15% no primeiro turno.

CLICK

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Marta Suplicy, secretária municipal de Relações Internacionais de SP, fez as pazes com Rui Falcão (PT), que foi secretário da gestão dela na Prefeitura (2001-2004): aliança contra Bolsonaro.

JUNTOS. Ricardo Salles deve mesmo ser o candidato de Bolsonaro ao Senado por São Paulo. O ex-ministro aguarda o presidente definir seu partido.

DESTINO… A bancada federal paulista definiu a destinação das emendas de 2022 para o Estado. Dos quase R$ 213 milhões, serão distribuídos 70% para saúde, 23% para educação e 7% para projetos que mirem o desenvolvimento econômico.

…FINAL. O Aeroporto do Guarujá estabeleceu consenso: R$ 10 milhões em obras. “Será um terminal logístico e de passageiros importante para o Estado e os dois milhões de habitantes da Baixada Santista”, afirma o coordenador da bancada, Alexandre Leite (DEM).

REALIDADE VIRTUAL. Não tem fogo na Amazônia de Bolsonaro como não houve ilícitos na Petrobras para os petistas.

SINAIS PARTICULARES
Jair Bolsonaro, presidente da República

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

PUXADO. O pavilhão do Brasil na Expo Dubai virou motivo de chacota entre empresários: resume-se a um “caixote branco com uma espécie de lago”, na descrição de um deles. Para piorar, tem como vizinho a arrojada Suécia. Ah, as cifras que correm por lá: R$ 35 milhões o custo do aventura brasileira.

Vista do pavilhão do Brasil na Expo Dubai. FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Vista do pavilhão da Suécia, vizinho ao do Brasil. FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

LIMONADA. Quem quer que seja o vencedor das prévias, o PSDB espera que a vitória o projete nacionalmente para liderar a terceira via no País.

PRONTO, FALEI!

Ricardo Salles. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente: “Não é fácil para o presidente escolher um partido. São muitas variáveis. Se fosse fácil já tinha escolhido. Deixem ele em paz. Vamos aguardar.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

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