Com Bolsonaro, não existe espaço vazio

Com Bolsonaro, não existe espaço vazio

Coluna do Estadão

18 de agosto de 2019 | 05h00

Há uma única certeza sobre Jair Bolsonaro entre auxiliares, aliados e até opositores dele: não existe espaço que ele não queira ocupar. Em quase oito meses de governo, o presidente mostrou ser mestre na arte de preencher cargos, noticiário e todo e qualquer tipo de vácuo. A máxima de que não existe lugar vago em política fica ainda mais fácil de ser levada ao extremo por Bolsonaro com a ajuda dos filhos, observa um ex-aliado. “Eles criam polêmicas, pautam o debate, expulsam desafetos, preenchem cargos e sufocam opositores”, completa ele.

No ar. Quando farejou as movimentações de João Doria (PSDB) e de Luciano Huck rumo às eleições de 2022, por exemplo, Bolsonaro surpreendeu seus auxiliares e se lançou candidato à reeleição para deixar claro que eles não terão refresco.

Mando eu. A mais nova vítima do modo Bolsonaro de agir é o ministro Sergio Moro: ou se submete aos caprichos do chefe ou acabará fora dos planos.

Saldão. Para emplacar Eduardo Bolsonaro na Embaixada do Brasil em Washington, o governo vai acelerar a liberação de emendas no Senado.

CLICK. A 1ª edição da revista do Observatório Judaico de Direitos Humanos traz denúncias de abusos contra negros, índios, homoafetivos e da violência policial.

Divulgação Observatório Judaico de Direitos Humanos do Brasil

Ponto final. A amigos, o apresentador Luciano Huck disse ter toda a documentação para comprovar que seu jatinho está em situação regular, legal. Não vai, no entanto, responder às declarações de Jair Bolsonaro. Não quer ficar batendo boca com o presidente.

Sinal de força. Jair Bolsonaro tem disparado entre seus ministros vídeos nos quais ele é ovacionado nas viagens que tem feito. A prática recente chamou a atenção de seus auxiliares.

No 0800. O ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, está pedindo imagens de satélites de países parceiros que obtenham dados sobre a Amazônia. Quer de graça. Sem verba, é uma alternativa à contratação de empresas para monitor o desmate.

SINAIS PARTICULARES.

Marcos Pontes, ministro de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações

Kleber Sales

Paredão. O PSDB paulistano afirma ter expulsado o sociólogo Fernando Guimarães sumariamente, em maio deste ano, “por infringir o código de ética e o estatuto” do partido ao montar um grupo suprapartidário de oposição a Bolsonaro (naquela altura em ainda em lua de mel com Doria).

Paredão 2. Guimarães criticou a filiação de Alexandre Frota ao PSDB. Ele não reconhece sua expulsão por não ter tido direto à defes.

 

A SEMANA

Terça-feira, 20/8 – Câmara começa analisar projeto sobre porte de armas

De autoria do Executivo, o texto inclui outras categorias entre as autorizadas a portar arma fora de casa ou do trabalho.

Quarta-feira, 21/8 – STF retoma julgamento sobre Lei de Responsabilidade Fiscal

Os ministros analisam, por exemplo, se Estados endividados podem cortar salário e jornada de servidores públicos.

 

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

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