Com Bolsonaro, caminhoneiros atacam Doria e ameaçam parar

Com Bolsonaro, caminhoneiros atacam Doria e ameaçam parar

Coluna do Estadão

27 de março de 2020 | 05h00

    Foto: Sérgio Castro/ Estadão

Começaram a circular nas redes vídeos com líderes dos caminhoneiros, alguns famosos pela greve de 2018, criticando as restrições impostas em solo paulista à abertura do comércio. Em um deles, que mostra um grupo supostamente improvisando refeições em frente a um restaurante fechado, a ameaça é direta: não mandar caminhões para as ruas e as estradas (e abastecer a mesa da população) enquanto os motoristas passam fome. Em outro, a categoria “denuncia” privações no Porto de Santos. Todos criticam João Doria e louvam Jair Bolsonaro.

Alerta. Acionado pela Coluna, o Bandeirantes informou ter tomado conhecimento dos vídeos. A área de Logística e Transporte do Estado avalia as reivindicações. No Ministério da Infraestrutura, a situação é vista, por enquanto, como pontual. A pasta está monitorando o movimento.

Joio e trigo. Em outros Estados, caminhoneiros também reclamam das dificuldades para alimentação. Segundo apurou a Coluna, ainda é difícil para as autoridades diferenciar “reivindicações reais” de “ataques políticos coordenados”.

CLICK. Suposto caminhoneiro aparece usando máscara em um dos vídeos com mensagem de apoio a Bolsonaro e contra restrições impostas por governadores.

Reprodução

Vai… A versão inicial da “PEC de Guerra”, trazida pelo blog da Coluna e já nas mãos de líderes do Congresso, é considerada por políticos e analistas cartada arriscada para, uma vez aprovada com a atual redação, derrubar o argumento do presidente de estar “impedido” de governar.

…que é sua. Em linhas gerais, a PEC libera o Executivo de muitas amarras e confere poderes a Bolsonaro de manejar verbas sem qualquer interferência do Legislativo. No comitê gestor a ser criado pela PEC, os representantes do Congresso não têm direito a voto, somente ministros, subordinados ao presidente.

Tudo… Henrique Mandetta teve reunião tripartite com representantes da Saúde de Estados e municípios. Voltou a pedir união e muita calma ao tratar de isolamento. Entre outros temas, foi discutido se seria mesmo necessário o confinamento em regiões com poucos casos e baixa circulação de pessoas, como a Norte.

…igual. Mandetta usou como exemplo a Avenida Presidente Dutra (Rio): se ela for fechada, o Brasil para. Mas, até agora, não houve nenhuma nova resolução: fica tudo como está.

Vamos juntos. O senador Wellington Fagundes (PL) apresentou PEC para unificar as eleições a partir de 2022: prefeitos e vereadores eleitos em 2016 passariam a ter um mandato de seis anos. Como a Coluna mostrou, o debate sobre adiamento do pleito deste ano têm crescido no Congresso.

Mick Jagger. Aliados de primeira hora (ou seja, de antes da eleição) de Jair Bolsonaro em SP não perderam a piada: a fase ruim do presidente começou após a recente aproximação dele com Paulo Skaf. Foi assim com Lula, Dilma, Temer e Márcio França, dizem.

SINAIS PARTICULARES
Paulo Skaf, presidente da Fiesp

Ilustração: Kleber Sales

Ideias. A Fundação Perseu Abramo, do PT, lança um conjunto de medidas para enfrentar a crise de saúde e a econômica gerada pelo coronavírus.

Ideias 2. Dentre elas, um programa de resgate para empresas, que propõe a suspensão da cobrança de impostos, das contas de água e luz, além da participação do governo no pagamento dos salários de funcionários para evitar demissões.

Sem… Ao contar a jornalistas como havia sido a reunião com outros líderes do G20, Bolsonaro relatou ter sido interrompido por falha de transmissão, mas afirmou ter conseguido falar 70% do que queria.

…linha. “Na minha hora caiu, não sei por que caiu, consegui falar 70% e caiu. Ali, foi específico para tratar do vírus. Fui o oitavo a falar. Dei meu recado, mostrei a caixa, como é o nome do remédio?”. Ele se referia à cloroquina, droga que está sendo testada no tratamento de covid-19 e que tem sido amplamente defendida pelo presidente.

BOMBOU NAS REDES!

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Paulo Chagas, general da reserva: “Bolsonaro está mais calmo, sorridente e afável. Deve ter dado ouvidos às pessoas certas e não à turma do ódio e enxergado alguma solução para a crise.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU JULIA LINDNER.

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