Colapso se estende a medicamento e oxigênio

Colapso se estende a medicamento e oxigênio

Coluna do Estadão

18 de março de 2021 | 05h00

Equipe de saúde atende pacientes de covid no Hospital Conceição, em Porto Alegre Foto: SILVIO AVILA / AFP

Técnicos do Ministério da Saúde e gestores estaduais e municipais da área entraram em alerta para a possibilidade da falta total de medicamentos necessários na intubação de doentes de covid-19 e também de oxigênio. “A luz amarela está piscando e corremos o risco de a vermelha se acender”, diz Mauro Junqueira, secretário executivo do Conasems (esfera municipal). Segundo ele, contudo, não há temor por ora de uma “segunda Manaus” porque no caso da capital do Amazonas havia a dificuldade adicional de logística por causa da floresta.

Rápido. Há relatos de municípios temendo faltar oxigênio: o que se consumia em um mês agora vai embora em dois, três dias. Araçatuba (SP) e Maringá (PR) estão em níveis alarmantes, afirmou o secretário.

Ajude aí. Uma das medidas do ministério foi solicitar à Casa Civil que a venda para uso medicinal do oxigênio fosse priorizada: hoje a indústria leva dois terços do oxigênio do País.

Risco… O estoque dos medicamentos de intubação orotraqueal é de 20 dias. As cirurgias eletivas foram suspensas no SUS e foi encaminhado pedido para a ANS orientar os planos de saúde a fazer o mesmo no setor privado. Para resguardar o anestésico indispensável para intubação.

…de falta. “Temos aumento do número de leitos de UTI e pacientes intubados. Também vemos uma população mais jovem que, naturalmente, tem mais saúde e fica mais tempo na UTI, então o consumo aumentou muito”, disse Junqueira à Coluna.

Help. Os governadores Eduardo Leite (PSDB-RS), Carlos Moisés (PSL-SC) e Ratinho Junior (PSD-PR) discutiram a falta de oxigênio com Eduardo Pazuello e Marcelo Queiroga. Lá, o maior problema é a falta de cilindros e o transporte.

Fica a dica. Enquanto Queiroga ainda procura um norte, por que o governo federal não chama os laboratórios para uma fabricação de medicamentos em esforço de guerra?

SINAIS PARTICULARES.
Marcelo Queiroga, novo ministro da Saúde

Ilustração: Kleber Sales

De novo. O adiamento da apresentação de documentos essenciais para o pedido de uso emergencial da Sputnik V na Anvisa frustrou, mais uma vez, governadores e autoridades envolvidas nas negociações de compra do imunizante.

Parado. Representantes do Fundo Russo de Desenvolvimento e o laboratório União Química se reuniram com a agência nesta quarta-feira, 17, e a expectativa era de que o processo de análise da vacina avançasse. Uma nova reunião deve acontecer na próxima segunda-feira, 22.

E aí? A preocupação dos governadores do Nordeste, que anunciaram a compra de 37 milhões de doses do imunizante, é de que o cronograma apresentado não seja cumprido.

CLICK. Em São Paulo, o presidente do PV, José Luiz Penna, de 75 anos, tomou a primeira dose da vacina, cumprimentou os enfermeiros e gritou: “Fora, Bolsonaro”.

Coluna do Estadão

Órbita… O recuo tático de João Doria (PSDB-SP) e o mau momento de Bolsonaro nas pesquisas atiçaram o PDT e afastaram ainda mais o partido da órbita de Lula. Os pedetistas não acreditam que o ex-presidente possa conquistar corações e mentes no centro.

…própria.Ciro ainda é o guardião da terceira via na corrida pelo Palácio do Planalto. Nenhuma candidatura de centro vinga sem ele. Por ter um projeto na mesa, ele se torna a única opção para atrair as forças que não querem a corrupção endêmica ou a loucura bolsonarista”, diz Antonio Neto, do PDT-SP.

PRONTO, FALEI! 

O pesquisador e neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis Foto: André Lessa/Estadão

Miguel Nicolelis, cientista: “Apenas o lockdown nacional, imediato, com auxílio emergencial e o aumento da vacinação, poderá nos dar chance de salvar o Brasil de hecatombe épica.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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