CNM diz que pandemia inviabiliza eleição em 2020

CNM diz que pandemia inviabiliza eleição em 2020

Coluna do Estadão

13 de junho de 2020 | 05h00

Foto: Romildo de Jesus / Futura PressA Confederação Nacional dos Municípios (CNM) passou a defender, oficialmente, que a eleição não ocorra neste ano, em razão da covid-19. Em documento enviado a líderes no Congresso, a entidade lista razões sanitárias, econômicas e jurídicas. Na prática, a disputa seria adiada para 2021 ou 2022 e significa advogar pela prorrogação de mandato dos atuais prefeitos. A CNM diz não haver previsão de fim da pandemia. Além dos riscos, os gastos com as eleições, em meio à baixa arrecadação, seriam inoportunos. Sugere até repassar o Fundo Eleitoral para o combate ao vírus.

O filho é teu. Quem é crítico alega não ser democrático ou constitucional prorrogar o mandato dos prefeitos atuais. Já a CNM escreve: “Quem assumirá a responsabilização pela saúde e pelas vidas durante e pós processo eleitoral?”.

Plano B? A entidade municipalista diz ainda que, se a disputa for mantida em 2020, que seja na data prevista (outubro), para garantir o período de transição.

Com a palavra. Depois de publicada a Coluna, a CNM soltou nota para informar que o documento “em momento algum cita o ano de 2021 como o melhor momento para a realização das eleições”, apenas que não podem ser neste ano. Diz ainda que defende a coincidência de mandatos – ou seja, municipais e gerais no mesmo ano. No caso, 2022. A informação foi corrigida.

Deu ruim. Repercutiu mal no meio militar e até mesmo no Planalto a entrevista do ministro Luiz Eduardo Ramos à revista Veja. Segundo disse ele, é “ultrajante e ofensivo dizer que as Forças Armadas vão dar golpe”. Resultado: reacendeu assunto incômodo.

Como assim? O alerta de Ramos à oposição para que “não estique a corda” também não pegou bem entre os militares. Eles viram na fala uma dubiedade. Ou seja, se a oposição esticar a corda, pode ter golpe?

Já vai tarde. O anúncio de que pretende ir para a reserva foi visto com ironia. Para alguns militares, Ramos já deveria ter tomado essa decisão quando aceitou o cargo de ministro no Palácio do Planalto.

Nem aí. No entorno de Ramos, porém, a avaliação é de que, apesar das críticas, ele não se arrependeu. Queria mesmo era dar o recado. Conseguiu.

CLICK. Os deputados Shéridan (PSDB-RR) e Vicentinho Júnior (PL-TO) formam um dos casais da Câmara. A deputada publicou homenagem a ele ontem, Dia dos Namorados.

Reprodução/Instagram

O que deu. Live do Grupo Prerrogativas com o jornalista Glenn Greenwald hoje, às 11h30, debate os desdobramentos da “Vaza Jato”, um ano após a divulgação das mensagens trocadas por Sérgio Moro e procuradores federais. Será transmitida pelo YouTube.

Muro. A crise da covid-19 parece ser capaz de mudar quase tudo no mundo, menos a ambivalência da direção do PSDB. As diferenças internas continuam impedindo o partido de ter posições claras sobre Bolsonaro e em defesa de seus governadores, prefeitos e militantes, constantemente atacados pelo bolsonarismo.

Muro 2. Parlamentares do PSDB disseram à Coluna que pedirão ao presidente Bruno Araújo nova reunião da Executiva Nacional. Há forte pressão interna para que o partido vá oficialmente para a oposição.

Muro 3. Mas há cargos em jogo, além do medo de se misturar ao PT. Araújo foi consultado sobre nomeações por Luiz Eduardo Ramos. Disse que o partido não fará indicações. Mas, se algum parlamentar emplacar um nome, tudo bem…

Deixa comigo. Enquanto a direção nacional se omite, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem de entrar em campo para ser o contraponto crítico a Jair Bolsonaro em questões relativas à democracia, decoro e ataque às instituições.

SINAIS PARTICULARES.
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

 

PRONTO, FALEI!

TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO

Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: “Não será escondendo dados que as polícias serão valorizadas. Só as prejudica”, sobre governo excluir dados de violência policial de relatório sobre direitos humanos.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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