Clima de conspiração e total desconfiança

Clima de conspiração e total desconfiança

Coluna do Estadão

19 de abril de 2019 | 05h00

Crédito: Wilson Pedrosa/Estadão

A despeito da tentativa do ministro Alexandre de Moraes de dar um freio de arrumação no episódio da censura à Crusoé, o clima na relação STF-Lava Jato é de “saloon” de bangue-bangue: ninguém confia em ninguém. Há teorias conspiratórias para toda sorte de narrativas sobre supostos bastidores do depoimento de Marcelo Odebrecht no qual ele cita Dias Toffoli. Em linhas gerais, parte dos ministros acha que os procuradores querem emparedar o STF, enquanto os procuradores têm certeza de que a Corte atua para acabar com a Lava Jato.

Como eu digo. Um dos pontos criticados pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no inquérito instaurado pelo Supremo para investigar notícias falsas é o fato de o processo não indicar quem seriam os investigados.

Como eu faço. A procuradora, porém, já pediu a abertura de um inquérito sem indicar ao Supremo quem eram os alvos da apuração.

Tique-taque. No ano passado, o ministro Edson Fachin deu três dias para Raquel esclarecer quem deveria “figurar como investigado” no inquérito que apura esquema de pagamentos do grupo J&F. A PGR levou 16 dias para mandar a lista.

Deixa quieto 1. O senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) deu sinais de que não pretende alterar o rito de recebimento de pedidos de impeachment ou de denúncias contra ministros do STF e contra o procurador-geral da República.

Deixa quieto 2. Anastasia foi nomeado relator na CCJ do projeto de Lasier Martins (Podemos-RS) que tira poderes de o presidente do Senado decidir monocraticamente a respeito da abertura de impeachments.

Meio… A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), quer trazer os governadores para o time da reforma da Previdência. Começou por visitas a Estados no Norte e no Nordeste, que têm mais resistências à proposta.

Sintonia. Em reunião da qual participaram líderes e vice-líderes do Senado e o ministro Paulo Guedes (Economia), houve consenso de que é preciso maior alinhamento na comunicação da reforma da Previdência.

SINAIS PARTICULARES
Joice Hasselmann, líder do governo no Congresso (PSL-SP)

 

Tá… Depois de Bolsonaro ter entrado de sola na Petrobrás para vetar um aumento do diesel, integrantes da equipe econômica temem que ele abra divergência com Paulo Guedes em outro assunto: a Zona Franca de Manaus.

…ok? Está em consulta pública flexibilizar exigências de conteúdo nacional para produzir na Zona Franca. Mas Bolsonaro já gravou vídeo com lideranças do Amazonas emitindo sinais em direção contrária. Há ainda a questão do fim do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

CLICK. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), participou no interior do Estado da Procissão do Fogaréu, que marca o início da celebração da Páscoa na região.

Crédito: Cristiano Borges/ Divulgação

Menos impostos. À GloboNews, Guedes defendeu o fim do IPI, mesmo se a medida prejudicar a Zona Franca: “Quer dizer que eu tenho que deixar o Brasil bem ferrado, bem desarrumado, senão não tem vantagem pra Manaus?”

Mais polêmica.“Um país continental não pode virar uma ilha de riqueza cercada de desemprego e miséria. A Zona Franca é uma política de desenvolvimento regional. A fala de Guedes é preconceituosa e irresponsável”, rebate o deputado Marcelo Ramos (PR-AM).

BOMBOU NAS REDES!

Foto: André Dusek/Estadão

Senador Randolfe Rodrigues (Rede-Amapá): “Não desistiremos da luta contra o abusivo inquérito de Toffoli”, sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes que derrubou a censura de sites jornalísticos.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA.

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