Clã Bolsonaro dá fôlego a Crivella nas redes

Clã Bolsonaro dá fôlego a Crivella nas redes

Coluna do Estadão

11 de abril de 2020 | 05h00

Foto: Gabriela Biló/Estadão

A estratégia do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, de se aproximar da família Bolsonaro em busca de musculatura eleitoral parece estar dando certo, ao menos nas redes sociais. Levantamento da consultoria Bites, feito a pedido da Coluna, mostra que, desde a filiação de Carlos e Flávio Bolsonaro ao Republicanos, em 27 de março, Crivella ampliou sua influência digital, principalmente entre bolsonaristas, e ganhou quase a metade dos seguidores obtidos em oito meses. Carlos é visto como o principal puxador de votos da legenda no Rio.

A.C. Entre 2 de agosto do ano passado e 26 de março último, Crivella ganhou em média 219 novos seguidores por dia, totalizando quase 52 mil no período. Foram consideradas as páginas do prefeito no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

D.C. Desde a entrada de Carlos e Flávio no partido, Crivella passou a ter uma média de 1.351 novos seguidores a cada dia, totalizando mais de 20 mil novos em apenas duas semanas nas quatro redes sociais.

Jogada certa. De acordo com a consultoria, é possível dizer que há uma tendência da rede bolsonarista de criar um cordão de proteção a Marcelo Crivella, candidato à reeleição.

Comparação. Abandonado pelos bolsonaristas desde que rompeu com Jair Bolsonaro, o governador do Rio, Wilson Witzel, ganhou apenas 6 mil seguidores desde 27 de março.

CLICK. Contra o coronavírus, o deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP) conseguiu a doação de equipamentos de proteção individual para seis hospitais do interior paulista.

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Help. A morte de um indígena da etnia Ianomâmi em Boa Vista (RR) fez crescer a preocupação da prefeita Teresa Surita (MDB). À Coluna, ela disse que a cidade, com poucos leitos de UTI, tem cerca de 11 mil venezuelanos e populações indígenas nos arredores.

Só. Teresa diz estar sozinha defendendo a política de isolamento, enquanto o governador Antonio Denarium (PSL) atua mais alinhado a Bolsonaro, pela flexibilização das regras.

Help 2. “Não sei mais o que eu faço. Todas as medidas que você possa imaginar a gente já tomou. Até desligar as luzes das pracinhas da cidades”, disse. O pico da curva do coronavírus em Roraima deve ser no começo de maio.

Cadê? O governador de Roraima disse à Coluna que fez mais de uma reunião com os prefeitos do Estado e que Teresa não esteve presente em nenhuma. “É fácil falar e não participar. Tem muita politicagem em cima da situação. É hora de harmonia e união”, afirmou.

Como é. No Estado, as escolas estão sem aulas presenciais desde março e, por decreto, foi determinado o fechamento do comércio, permitindo apenas drive-thru e serviço de entregas. Denarium disse que há fiscalização e que deve intensificá-la.

Tá ok. Ao menos sobre venezuelanos e indígenas, eles concordam. “Se o coronavírus entrar nos abrigos (dos venezuelanos), o estrago vai ser muito grande”, disse Denarium. Os que atravessam a fronteira e continuam em Roraima são os mais vulneráveis: 40% dos leitos da rede pública são utilizados por eles.

Insalubre. Auxiliares do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, estão preocupados com o chefe. Segundo contam, ele está se alimentando muito mal e trabalhando em média 18 horas por dia. Quando come, é na mesa de trabalho.

Preocupação. A família de Mandetta está agoniada com a fritura pública do ministro. O pedido de ajuda foi parar nos primos parlamentares dele, Nelsinho e Fábio Trad (ambos do PSD-MS). Eles demonstraram solidariedade, mas disseram que pouco podem ajudar com Bolsonaro.

Anota aí. O deputado Osmar Terra (MDB-RS), guru de Bolsonaro para assuntos de saúde, profetiza: o isolamento deve acabar lá pelo dia 21. Segundo o ex-ministro da Cidadania, a covid-19 deve começar a arrefecer no País a partir dessa data.

SINAIS PARTICULARES. 
Osmar Terra, deputado federal (MDB-RS)

Ilustração: Kleber Sales

Na mão. A Defesa começou a cadastrar, no resgate dos brasileiros em Wuhan (China), empresas produtoras de insumos de higiene e de saúde, como álcool, aventais, desinfetantes e máscaras. São mais de 88 empresas e 271 produtos disponíveis. A lista é pública e compartilhada com Mandetta.

PRONTO, FALEI! 

Reprodução Câmara dos Deputados

Júnior Bozzella, deputado federal (PSL-SP): “Na luta entre a vida e a morte, o bolsonarismo radical escolhe a política, pois a ganância pelo poder sempre foi a sua principal aliança.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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