Ciro pede ‘passo atrás’ de Lula em prol de aliança contra Bolsonaro

Ciro pede ‘passo atrás’ de Lula em prol de aliança contra Bolsonaro

Mariana Haubert

05 de abril de 2021 | 17h43

Ao defender uma aliança ampla capaz de impedir a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022, o pré-candidato à Presidência da República, Ciro Gomes (PDT), defendeu nesta segunda-feira, 5, que o petista Luiz Inácio Lula da Silva tenha a “generosidade” de não disputar a eleição para o comando do País no ano que vem. Ele sugeriu inspiração no exemplo de Cristina Kirchner, que deu um “passo para trás” e aceitou ser vice de Alberto Fernández ao invés de encabeçar a chapa eleitoral na Argentina. Ciro citou ainda como exemplos “desastrados” de tentativa de perpetuação no poder o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro e o ex-presidente da Bolívia Evo Morales.

“A gente devia pedir generosidade a quem já teve oportunidade, como o Lula, que é uma grande liderança brasileira. Mas a gente devia pedir a ele que se compenetrasse e não imitasse o exemplo desastrado do (Nicolás) Maduro na Venezuela ou do Evo Morales na Bolívia. E olhasse o que a Cristina Kirchner fez na Argentina em que, tendo uma força grande, deu um passo pra trás e ajudou a Argentina a se reconciliar”, afirmou ao participar de debate virtual sobre a reforma administrativa organizado pela Central dos Sindicatos Brasileiros.

Ciro defendeu ainda que o País precisa se “reconciliar consigo mesmo” e não pode entrar nas eleições do ano que vem com uma agenda que reproduza a “lógica do ódio” e de um enfrentamento vazio na discussão sobre o futuro do País.

“Derrotar Bolsonaro é muito importante, não por ódio a ele, mas para derrotar o desastre que ele está produzindo, na saúde, na economia, na relação internacional que o Brasil está desmoralizado. Mas a segunda grande tarefa, mais difícil e que pede uma grande reconciliação entre todos nós, é botar algo no lugar nesse ambiente de terra arrasada em que nós estamos”, disse.

O pedetista disse ainda que, tanto do lado de Lula quanto do de Bolsonaro, haverá acusações de envolvimento com casos de corrupção que podem levar o País a uma polarização ainda mais grave e os partidos de direita que não devem apoiar a reeleição, buscarão um rosto próprio.

“A direita brasileira vai largar o Bolsonaro ao mar e vai tentar se reciclar aí com uma carinha qualquer e vão fazer propaganda. E isso o Brasil não aguenta mais”, disse.

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