Cineastas que documentam impeachment dizem não estar a serviço de partidos

-

Coluna do Estadão

27 de agosto de 2016 | 23h14

Cineastas que produzem documentários sobre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff divulgaram nota em que dizem não estar a serviço de partido político.

As produções cinematográficas viraram tema dos últimos dias. Senadores governistas afirmam que os filmes são ligados ao PT e tratam o processo de impeachment como golpe.

Algumas produtoras estão usando gabinetes de senadores petistas como base. Além disso, fazem imagens de jornalistas em serviço e posicionam microfones em conversas reservadas.

Leia a íntegra da nota divulgada:

Frente às matérias recentes, em diversos veículos de imprensa, sobre os documentários que registram o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, sentimos a necessidade de elucidar algumas questões, de maneira a garantir que a verdade prevaleça e que um sem número de mal-entendidos tenham fim:

– somos cineastas e nos dedicamos à produção de documentários. Um momento político de relevância histórica ímpar como o que vivemos, obviamente, desperta o interesse de quem tem no registro da realidade uma paixão e um ofício; em países com maior tradição de produção de documentários, teríamos não duas, nem quatro equipes a registrar os bastidores, os debates e o cotidiano do congresso; pelo menos mais de uma dezena de produções estariam em curso.

– Realizamos produções independentes. Exploramos a realidade, as diferentes perspectivas de cada fato. Nossas produções não estão a serviço de partido algum. Buscamos registros de representantes de todos eles, seus diversos pontos de vista, a atuação pública no processo.

– Contamos com a ajuda de diversos parlamentares até agora – e pretendemos continuar com uma relação colaborativa e respeitosa. Desde pedidos de autorização, entrevistas, liberação de espaços, ponto de apoio para equipamentos. Agradecemos aos parlamentares que, de alguma forma, nos permitem realizar o nosso projeto, dando nossa contribuição ao registro de um período tão importante e colaborando com a produção cinematográfica brasileira.

– Esperamos, com estes esclarecimentos, garantir que nossas produções não venham a ser prejudicadas por ilações que não correspondem aos fatos, comprometendo o resultado final de um registro tão necessário para o mundo do cinema.
Ambos os filmes estão sendo feitos sem lei de incentivo ou patrocínio.
Petra Costa – diretora de ELENA e OLMO E A GAIVOTA
Maria Augusta Ramos – Diretora de JUSTIÇA, JUIZO e FUTURO JUNHO

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.