Ceticismo estrangeiro e obstáculos para Araújo

Ceticismo estrangeiro e obstáculos para Araújo

Coluna do Estadão

27 de março de 2021 | 05h00

Embaixadores estrangeiros e diplomatas do Itamaraty estão céticos quanto à espuma produzida em torno de possíveis mudanças verdadeiras na política externa do País: de nada adiantará trocar de chanceler se o clã Bolsonaro e o “olavismo” continuarem fornecendo régua e compasso ao substituto. Uma saída honrosa para Ernesto Araújo já é articulada e terá de passar pelo Senado. Questionada se há clima para ajudar o chanceler a “cair pra cima”, a presidente da Comissão de Relações Exteriores, Kátia Abreu (PP-TO), disse: “De jeito nenhum”.

Não é bem assim. Governistas minimizam: se Jair Bolsonaro assim quiser, Araújo será aprovado para outro posto. Desta vez, prometem proteger o chanceler, que apanhou “sozinho” nesta semana na Casa.

E aí? Há um temor entre diplomatas de que ocorra um fenômeno igual ao da Saúde: troca-se o ministro, mas pouca coisa muda.

E aí? 2. Embaixadores estrangeiros avaliam que o governo Bolsonaro deu uma guinada na política externa de tal forma que perdeu espaço entre pares globais.

O que mais? Para eles, ainda há como reverter a imagem ruim do País, mas é preciso uma postura diferente na área internacional e apresentar resultados, como, por exemplo, na diminuição do desmatamento.

Fora da lista. Entre diplomatas, acredita-se ser pouco provável um político no Itamaraty: não vai querer se submeter aos caprichos “olavistas” do presidente.

Aposta. Nomes de carreira que circulam para o lugar de Araújo: Luis Fernando Serra, embaixador em Paris, e Nazareth Azevêdo, mais conhecida como Lelé, embaixadora no consulado de Nova York (EUA).

Pera aí. Apesar de reconhecer a fragilidade do momento, o entorno de Araújo vê a fervura baixando e o tempo como o maior aliado.

‘Turma AE4’. Uma confusão numa gincana de calouros da FGV reuniu às turmas de novatos “apoios” virtuais de Tabata Amaral, Alexandre Frota e até de Sérgio Moro. A brincadeira em Brasília era que os estudantes fizeram mais pela “frente ampla” do políticos.

SINAIS PARTICULARES.
Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça

Ilustração: Kleber Sales

Pressa. A PEC que dá assento a ministros do STF e do STJ no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e abre uma nova vaga para representante do Congresso já foi protocolada. Contou com assinaturas do PSOL e até do PSL.

Mão forte. “A sociedade precisa ter um controle mais forte para evitar a impunidade ali”, disse à Coluna o autor da proposta, deputado Paulo Teixeira (PT-SP). O CNMP é o órgão que julga administrativamente procuradores. Segundo Teixeira, a presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Bia Kicis (PSL-DF), prometeu celeridade para analisar o texto.

Libera… Os deputados Wolney Queiroz (PE) e Eduardo Bismarck (CE), ambos do PDT, apresentaram proposta para que os leitos de hospitais militares sejam liberados para uso de civis com covid-19. A ideia entrou como emenda no projeto do Pró-Leitos.

…aí. Queiroz também pediu informações à Defesa sobre a subutilização de leitos em hospitais militares. Quer saber, por exemplo, quantos leitos foram disponibilizados ao SUS.

Somando… O Ministério da Cidadania lançou o programa Brasil Fraterno, que distribuirá cestas de alimentos. A iniciativa será coordenada pelo Pátria Voluntária, de Michelle Bolsonaro, em parceria com o sistema S.

…esforços. A primeira ação do programa deve beneficiar 7 mil famílias, com doação de 300 toneladas de alimentos.

CLICK. Programa foi lançado ontem pelo ministro João Roma em Aparecida (SP), que, com a interrupção do turismo, tem hoje 70% da população desempregada.

Reprodução/Instagram

PRONTO, FALEI! 

Deputada Tabata Amaral. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

Tabata Amaral, deputada federal (PDT-SP): “Se os cortes ao IBGE não forem revertidos, corremos um sério risco de ter, por uma década, um apagão de dados no Brasil. Que a saída da presidente Susana Guerra sirva de alerta ao governo. O que perderemos com políticas mal embasadas será infinitamente maior do que os cortes.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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