Centro vê brecha para atacar a polarização

Centro vê brecha para atacar a polarização

Coluna do Estadão

08 de outubro de 2019 | 05h00

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

Dentro e fora do Congresso, líderes enxergam neste momento de turbulência do bolsonarismo, às voltas com o fraco desempenho econômico e as acusações de sufocar a Lava Jato, uma brecha para as forças de centro atacarem a polarização que domina (e contamina) o debate nacional. Como a esquerda perdeu qualquer protagonismo no chamado “discurso ético” e é um deserto de propostas para fazer o País voltar a crescer, a estratégia passa por apontar as contradições dos extremos e fugir das falsas polêmicas ideológicas no campo dos costumes.

Ecléticos. O chamado centro democrático, que reúne líderes como Fernando Henrique Cardoso, Raul Jungmann e Paulo Hartung, quer ampliar o arco de diálogos. Baleia Rossi, recém-eleito presidente nacional do MDB, é um dos deputados que serão procurados. Moderados do PT também podem entrar na lista.

Largada. O mais recente artigo de FHC, publicado no Estado, foi interpretado como um apelo: “Teremos capacidade para unir o centro democrático e progressista?”, questionou ele.

Exemplo. Na turma que procura o equilíbrio no Congresso, a deputada Tabata Amaral (SP) esteve alinhada até agora ao bloco de centro-esquerda (quase sempre junto do seu PDT) em 40% das votações.

COLUNA DO ESTADÃO

Raio X. Segundo estudo do gabinete de Tabata, outros parlamentares como ela ligados ao movimento Renova votaram em sua maioria alinhados à direita. No subgrupo que participou de programas da Fundação Lemann, Tabata é a única que se situou à esquerda nas votações.

Aleluia. Relatório do pastor e deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) no projeto do Novo Mercado do Gás conseguiu o que o mercado nem esperava: consenso. O texto, apelidado de “o milagre de Silas”, deve ser votado em comissão nesta semana.

SINAIS PARTICULARES
Silas Câmara, deputado federal (Republicanos-AM)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Exemplo. Barjas Negri (PSDB), prefeito de Piracicaba (SP), participa hoje de audiência na Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa a proposta de atualização do marco legal do saneamento. Com 100% de esgoto tratado, a cidade é modelo no País.

Segue… Em conversa recente com Jair Bolsonaro, o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, relatou que os indícios contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, são bastante contundentes.

…o jogo. Ponderou, no entanto, não haver uma gravação, depósito ou outro registro que ligasse Antônio diretamente e definitivamente ao esquema de caixa 2 investigado pela PF. Valeixo e Bolsonaro conversaram na sexta-feira, em encontro fora da agenda, sem a presença do ministro Sérgio Moro (Justiça).

CLICK. Os deputados Enrico Misasi (PV) e Vinícius Poit (Novo) participaram de reunião do secretariado de João Doria (ao centro) para discutir demandas do Estado.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

É o quê? Pesquisa do Instituto Idea Big Data mostra que 66% dos brasileiros não sabem o que é a CPI da Lava Toga, colegiado que senadores querem instalar para investigar o Supremo.

Ah… Dos que dizem conhecer, 86% são a favor da CPI. Para 65% dos entrevistados, o governo Bolsonaro tem feito pouco ou muito pouco para combater a corrupção. Foram realizadas 1.552 entrevistas via aplicativo entre os dias 24 e 25 de setembro (margem de erro de quatro pontos).

BOMBOU NAS REDES!

João Amoêdo. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

João Amoêdo, presidente do Partido Novo: “Gastamos 12,8% do PIB com funcionalismo público, enquanto a Europa gasta, em média, 10,3%. Precisamos de reforma administrativa com urgência.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E JULIANA BRAGA. COLABORARAM ELIANE CANTANHÊDE, RICARDO GALHARDO E ADRIANO CIRINO

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