Cenário eleitoral pode diminuir a reforma

Cenário eleitoral pode diminuir a reforma

Coluna do Estadão

12 de maio de 2019 | 05h00

Jair Bolsonaro e João Doria. FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS

O diagnóstico é de quem conhece bem o Congresso e tem participado ativamente das negociações entre os governadores e o Planalto/Economia: neste momento, os Estados (e também os municípios) estão fora da reforma da Previdência. O movimento para alijar os demais entes federativos contaria com apoio velado do presidente Jair Bolsonaro, pouco interessado em colocar azeitona na empada de prováveis adversários eleitorais, como João Doria (PSDB-SP). A lógica do Planalto seria resolver a encrenca federal agora e tocar o barco até 2022.

Cada um… Os próprios governadores já dão como certo estar fora dos planos do Congresso, e a equipe econômica admitiu a integrantes da Comissão Especial que tirá-los não abala a economia de quase R$ 1 tri.

…por si. Pesa nesse caso a emenda de Daniel Coelho (Cidadania-PE) que, segundo ele, já reúne mais de cem assinaturas. “É inegociável. Não discutimos Previdência se os Estados não forem retirados”, diz.

Sem baixar a guarda. Apesar do cenário ruim, Rodrigo Maia e alguns governadores vão trabalhar para reincluir os Estados.

Os anéis. O time de Paulo Guedes já avalia tornar as novas condições do Benefício de Prestação Continuada opcionais e deixar a capitalização para outro momento. Quer diminuir a resistência no Congresso para ver se a coisa anda.

Brincadeira. Depois de uma crítica do governador Ronaldo Caiado (DEM-GO) ao Planalto, o oposicionista Flávio Dino (MA) não perdeu a piada: “Ia até chamá-lo para o PCdoB, mas você está muito radical”.

Fica. João Doria avisou a pessoas próximas que Alexandre Baldy, cotado para assumir o Ministério das Cidades, não será liberado para ocupar o posto. Doria diz que “não abre mão” do secretário, que hoje ocupa a Secretaria de Transportes Metropolitanos de SP.

Esperança. O ministro Sérgio Moro (Justiça) deve ter audiência com o grupo de trabalho que analisa seu projeto anticrime na Câmara ainda nesta semana. Deputados ligados a Moro tentam agilizar o andamento da proposta na Casa.

SINAIS PARTICULARES 
GOVERNADORES
Waldez (PDT-AP)

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Mais… Os deputados federais Eduardo Bolsonaro, Delegado Waldir e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, o príncipe, todos do PSL, marcaram uma sessão solene em homenagem aos 131 anos da assinatura da Lei Áurea, na terça-feira.

… polêmica. Acontece que parte do movimento negro escolheu celebrar o 20 de novembro (morte de Zumbi dos Palmares) por entender que a lei assinada pela princesa Isabel jogou os escravos na marginalidade. Movimentos sociais prometem reagir e ocupar o plenário da Câmara.

CLICK. Alvo da ira do Congresso por fazer jogo duro na hora de receber os parlamentares, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, ganhou afago público do chefe.

FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Zum, zum, zum… O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) segue nas críticas a Osmar Terra (Cidadania). Só se refere ao ministro como “Osmar Berimbau”.

… capoeira mata um. Quando assumiu a pasta, o ministro disse que seu conhecimento sobre a área cultural se resumia a tocar o instrumento da capoeira.

Marcação. O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP) apresentou 12 pedidos de audiências públicas. O tema central é o “desmonte ambiental”. Todos foram aprovados.

PRONTO, FALEI!

Deputado Orlando Silva. FOTO: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO

Orlando Silva, deputado federal (PCdoB-SP): “O caráter antidemocrático do governo Bolsonaro tem muitas faces. Uma é impedir que a oposição cumpra seu papel. Eles próprios fazem oposição.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Tendências: