Cansado de se desgastar por Temer, PMDB diz que não vota aumento de imposto

Cansado de se desgastar por Temer, PMDB diz que não vota aumento de imposto

Luiza Pollo

10 Agosto 2017 | 05h30

Deputado Baleia Rossi (PMDB-SP) e presidente Michel Temer Foto: André Dusek/Estadão

Michel Temer enfrentará resistência no seu próprio partido se decidir por aumentar impostos para enfrentar a crise fiscal. O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi, informou ao presidente da legenda, Romero Jucá, que a bancada já se desgastou rejeitando o pedido de abertura de processo contra Temer para ter que se indispor ainda mais com o eleitorado votando matérias impopulares. O governo já recuou de mexer no IR, mas estuda outras medidas como tributar lucros e dividendos e o fim de isenção em aplicações financeiras.

Como prometido. Baleia Rossi entregou a Jucá lista com os nomes dos seis deputados do PMDB que votaram pela abertura de processo contra Temer. Primeiro passo para punição.

Agora chora. Na lista estão Celso Pansera (RJ), Jarbas Vasconcelos (PE), Laura Carneiro (RJ), Sérgio Zveiter (RJ), Veneziano Vital do Rego (PB) e Vitor Valim (CE). De início, devem perder funções partidárias.

Demolidor. Integrantes da executiva dizem que Tasso Jereissati vai criar uma arma de autodestruição do PSDB ao dizer em cadeia nacional que o partido errou ao se envolver em escândalos. “A oposição pega até o que não falamos, imagina o que falamos”, diz o deputado Nilson Leitão.

Na defesa. “Cem milhões vão ver o PSDB falando que errou enquanto apenas 10% assistirão ao raciocínio completo. Nós estamos numa crise que não foi o PSDB que criou. Cagaram no País inteiro e estamos ajudando a limpar”, emendou o deputado Caio Nárcio (MG).

Me erra. Deputados admitiram que apontar o erro do partido é apunhalar o senador Aécio Neves pelas costas. Alegam que, para o eleitor comum, o único erro claro da legenda é o de Aécio.

Voz isolada. O deputado Daniel Coelho (PSDB-PE) foi o único a defender na reunião da Executiva a saída do partido do governo de Michel Temer. Mas ninguém quis render assunto.

Tá crítico. A aposta na Polícia Federal é que a maioria das delações da Odebrecht será parcialmente anulada por falta de comprovação dos fatos narrados por seus executivos à PGR. “Vale tudo não dá”, diz um delegado.

Flechada. A qualquer momento, a PGR deve entrar com pedido no Supremo para desmembrar o processo do Rocha Loures da denúncia contra o presidente Michel Temer, o que, na prática, significaria jogar o ex-assessor do presidente nas garras da 1.ª instância.

Grudados. Para evitar isso, a defesa de Loures, o homem da mala, já decidiu: vai dizer que os dois processos são indissociáveis porque “a prova que pode condenar ou absolver os dois é a mesma”. Quem não gosta nem um pouco dessa alegação é a defesa de Temer.

CLICK. Nem o salto quebrado impediu a deputada Bruna Furlan (PSDB-SP) de trabalhar. Enquanto o colava, ela caminhou pelo plenário da Câmara de chinelo mesmo.

Coluna do Estadão

Tá transmitindo? Ricardo Lewandowski se incomodou com a presença de câmeras durante a sessão administrativa do STF ontem. Ele foi um dos 3 ministros favoráveis a reajustar os próprios salários.

Não, não tá. A pedido da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, os câmeras foram embora logo depois da abertura da sessão, fazendo apenas um rápido registro com a imagem dos ministros reunidos.

Mantenha isso. Michel Temer vai aumentar a frequência das reuniões noturnas e fora da agenda. Ajuda a demonstrar que não é crime ter recebido Joesley Batista nessas condições.

Sinais Particulares/Por Kleber Machado

Pronto, Falei! 

“A reunião foi importante, mas a discussão sobre reforma política deveria ter começado na quarta passada”, de Renan Calheiros (PMDB-AL) sobre jantar na noite de terça oferecido pelo presidente do Senado, Eunício Oliveira, para tratar da reforma. Na quarta, a Câmara livrou Michel Temer de ser investigado pelo STF.