Candidata que denunciou ministro registrou despesa com marido e irmão

Candidata que denunciou ministro registrou despesa com marido e irmão

Juliana Braga

18 de fevereiro de 2019 | 18h54

Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio

A ex-candidata estadual pelo PSL Cleuzenir Barbosa, que denunciou coação de auxiliares do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, registrou como despesa de campanha R$ 12 mil com familiares.

De acordo com o TSE, Cleuzenir gastou R$ 8.775,00 com o marido, Luiz Henrique Pereira, e outros R$ 4 mil com o irmão, Wilson Antonio Barbosa.

Ela alega que o dinheiro repassado ao marido se referia ao pagamento pelo uso dos automóveis do casal, um HB20 e uma moto Honda CG 150, durante a campanha. O mesmo valor foi lançado na prestação de contas como doação do marido de Cleuzenir. “Eu rodei tanto com o meu carro que perdi a garantia porque extrapolei a quilometragem que precisava fazer a revisão”, justifica.

Ela diz que precisou usar os veículos da família porque o PSL só liberou o dinheiro para campanha em 18 de setembro.

Depois que o recurso foi transferido a Cleuzenir, segundo a prestação de contas, ela alugou um terceiro veículo, embora tenha continuado usando os dois carros da família.

Para o restante do período, foram lançados como despesa para locação de veículos R$ 3,5 mil, menos da metade do que foi desembolsado ao marido.

Já os valores para o irmão, justifica a ex-candidata, foram para remunerá-lo pela coordenação da campanha. “Ele foi o principal coordenador”, afirmou.

Lapso. Cleuzenir declarou em depoimento ao Ministério Público em dezembro de 2018 ter sido coagida por dois assessores do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio a devolver R$ 50 mil dos R$ 60 mil recebidos do PSL de Minas Gerais para campanha. Os auxiliares seriam Haissander Souza de Paula, que foi assessor parlamentar de Marcelo Álvaro, e Lilian Bernardino, que recebeu R$ 65 mil de verba do fundo eleitoral, mas obteve apenas 196 votos.

Segundo relatou, Haissander teria utilizado uma arma de fogo ao coagi-la. No boletim de ocorrência que registrou na Polícia Civil de Minas de Gerais, no entanto, não há menção ao fato.

“Eu esqueci de falar”, justificou Cleuzenir. Segundo ela, o boletim era apenas uma formalidade para poder dar entrada no processo. “Vale o depoimento ao Ministério Público”, afirma.

Depois da repercussão das denúncias, Cleuzenir se escondeu em Portugal. Ela reclama que, no Brasil, não há garantia de segurança para quem denuncia. “Peço ao Sérgio Moro, nosso ministro da Justiça pelo qual eu tenho o maior respeito, que tome providências. Eu temo pela minha vida”, desabafa.(Juliana Braga)