Câmara abre caminho para CPI da Lava Jato

Câmara abre caminho para CPI da Lava Jato

Coluna do Estadão

24 Junho 2018 | 05h30

 

Foto: Estadão

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, pediu um estudo da assessoria técnica da Casa para avaliar a criação de CPIs. O resultado deve abrir caminho para a instalação da CPI da Lava Jato, apresentada pelo PT sob o pretexto de investigar suspeitas de que escritórios de advocacia direcionaram depoimentos de delatores. Desde que foi protocolada, Maia já arquivou 5 dos 10 pedidos que estão à frente. Como existe uma fila que não pode ser furada e só cinco CPIs funcionam ao mesmo tempo, para viabilizá-la ele precisa se livrar de outras três.

Garantidas. Atualmente, a Câmara tem três CPIs autorizadas a funcionar. Por isso, sobram apenas duas vagas. Maia deu aval para investigar a indústria das multas, o crime organizado no Brasil e o vazamento de mineração em Barcarena.

A saída. A justificativa para indeferir os cinco pedidos de CPI foi a mesma: não têm fato determinado. No caso da CPI da Lava Jato, considerada o “troco” do Congresso na operação, o entendimento é de que o pedido está fundamentado.

Daqui pra frente. O desembargador Gebran Neto, do TRF-4, é um estudioso do tema delação premiada. A avaliação na PF é de que o acordo homologado por ele com Antonio Palocci pode se tornar referência.

No escuro. O princípio é que o delator só saberá quais benefícios receberá depois de comprovadas suas acusações. É a inversão da lógica usada, até então, pelo MP. “O preso tem que confiar no Estado e não o contrário”, diz quem acompanhou o trâmite.

No lucro. O objetivo é evitar o que ocorreu com delações fechadas pelo MPF, que garantiram benefícios e agora são contestadas. Ex-Transpetro, Sérgio Machado, por exemplo, não foi preso e nada do que entregou se comprovou.

Aritmética. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, foi peça-chave para convencer Guilherme Mussi a trocar Márcio França por João Doria em SP. Com Doria na frente das pesquisas, disse que era melhor trocar 6 meses (duração do mandato de França no governo) por 4 anos.

SINAIS PARTICULARES. Hélio José, senador, por Kleber Sales

Casa cheia. Suplente de senador, Hélio José tem o maior número de servidores lotados no gabinete: 96.

Sem paciência. O presidenciável Geraldo Alckmin voltou a se irritar com seu partido. Em desabafo, disse a aliados que o PSDB está cheio de “gente traidora” e “não solidária”. Com fraco desempenho nas pesquisas, o tucano é alvo de fogo amigo na sigla.

Além-mar. A ministra Grace Mendonça, da AGU, estuda ir a Portugal para audiências com autoridades locais. Quer explicar os argumentos do governo brasileiro para que o agora “português nato” Raul Schmid seja extraditado para ser julgado por Sérgio Moro.

CLICK. A Secretaria-Geral da Presidência agendou as datas dos próximos leilões do PPI. O primeiro começa na quinta, 28, e é sobre lotes de linhas de transmissão.

Vai logo. O delegado Cleyber Malta Lopes, relator do inquérito dos Portos, sofre pressão para concluir logo seu trabalho, antes do início da campanha eleitoral. O prazo expira no dia 8 de julho. Entre os alvos, estão o presidente Michel Temer e sua filha, Maristela.

Dois caminhos. Quem acompanha o inquérito de perto acha que o delegado não tem condições de encerrar os trabalhos agora. O caminho do dinheiro não foi elucidado. Se o fizer, acreditam, seria um relatório inconcluso.

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