Butantan aposta em plasma de humanos

Butantan aposta em plasma de humanos

Coluna do Estadão

26 de março de 2021 | 05h00

Instituto Butantan, localizado na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Neste momento desesperador da pandemia, o Instituto Butantan investirá no plasma convalescente, de humanos que já tiveram covid-19, para o tratamento de pacientes em estágio inicial da doença. A medida não necessita de autorização da Anvisa e é importante no cenário de falta de vacinas e sistemas de saúde em colapso. “O objetivo é transferir ao paciente anticorpos de maneira passiva até que o organismo dele tenha tempo de reagir e montar a sua resposta imune. Trata-se de uma vacina instantânea”, diz Dimas Covas, diretor do Butantan.

Em busca de… O instituto inaugura hoje uma rede de coleta, distribuição e utilização do plasma humano. Cinco hemocentros no Estado estão credenciados: HHemo, Pró-Sangue, Colsan (esses na capital paulista), Hemocentro da Unicamp (Campinas) e Hemocentro de Ribeirão Preto.

…salvar vidas. O plasma é indicado para quem tiver a doença confirmada e esteja apresentando sintomas por, no máximo, 72 horas. O público-alvo são os imunossuprimidos, idosos e pacientes com comorbidades.

Requisitos. Podem doar plasma homens de 16 a 69 anos, com 50 kg de peso corporal, no mínimo, e que tenham sido contaminados pela covid-19 pelo menos 30 dias antes da doação.

Juntos. O Ministério da Agricultura chegou a discutir preliminarmente, ainda no início da pandemia, a possibilidade de laboratórios usados na produção de vacinas contra a febre aftosa serem adaptados para ajudar na produção de imunizantes contra a covid-19.

Juntos 2. De acordo com integrantes do Ministério da Agricultura ouvidos pela Coluna, é bem-vinda a oferta do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sindan) de ajudar na produção em larga escala de imunizantes contra o coronavírus.

Juntos 3. Se a oferta chegar à Agricultura, ela certamente será analisada e receberá apoio, avaliam. A coordenação da adaptação para uso dos laboratórios, porém, deve ser conduzida pelo Ministério da Saúde.

Agenda. O Senado se reúne na semana que vem para debater a oferta do Sindan.

CLICK. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) exaltou a confiança na ciência ao ser imunizado contra a covid-19. “A vacina significa que não devemos desanimar.”

Reprodução/Instagram

Não… A cozinha do Planalto tenta atender a pedidos diferentes da sociedade civil servindo o mesmo prato. Um deles quer a cabeça dos ministros Ernesto Araújo e Ricardo Salles.

…confunda… O outro quer um presidente de verdade, com coragem e lucidez para enfrentar a pandemia (em vez de negá-la) e vacinar a população. O maître Arthur Lira, responsável por anotar os pedidos, percebeu a malandragem.

…os pedidos. Um interlocutor de Lira diz: segue valendo a ameaça da medida fatal se a pandemia não der trégua: o restaurante da Câmara tem de continuar atendendo a pedidos, mesmo se mudar o cozinheiro.

Não… Na representação em que pede para apurar a Secom, subordinada a Fábio Faria, o subprocurador-geral do MP junto ao TCU, Lucas Furtado, faz paralelo entre o Brasil e a obra 1984.

…é ficção. No livro de George Orwell, o ministro da verdade altera a narrativa dos fatos. “Preocupante coincidência na medida em que a atuação da Secom não está muito longe dessa distopia”, diz Furtado.

SINAIS PARTICULARES.
Fábio Faria, ministro das Comunicações

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI! 

Alessandro Molon. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ): “É mais que urgente a saída de Ernesto Araújo para que parcerias internacionais sejam restabelecidas. O Brasil não pode sofrer as consequências por um ministro que atacou tanto outros países. Basta! Precisamos de mais vacinas. É a vida do nosso povo que está em risco.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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