Bretas minimiza ‘fim’ da Lava Jato e reclama de ‘pedradas’

Bretas minimiza ‘fim’ da Lava Jato e reclama de ‘pedradas’

Alberto Bombig e Marianna Holanda

12 de outubro de 2020 | 19h04

Fábio Motta/Estadã

Ao ser homenageador em jantar na última sexta-feira, 9, em São Paulo, Marcelo Bretas desabafou sobre a punição imposta a ele pelo TRF-2: “Há cinco anos recebo pedradas, sou alvo de injúrias”. O juiz da Lava Jato do Rio não citou explicitamente o episódio, mas contou sobre o caso: “Se eu aceito o convite para estar em um evento público, corro sério risco de ser penalizado só por estar ao lado de uma autoridade legítima do nosso País”. Bretas foi punido por ter participado de evento com Jair Bolsonaro.

O juiz federal apenas minimizou o suposto “fim da Lava Jato”, anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro recentemente: “Não deveríamos nos preocupar com isso”. Segundo Bretas, a “semente” da Lava Jato já foi plantada e está “florescendo”.

“A semente da Lava Jato – seja no Rio de Janeiro, seja em São Paulo, seja em Brasília, tantos Estados que hoje se vê as investigações fluindo -, essa semente foi plantada. Não vejo como deter isso.”

O argumento de que a Lava Jato continua nos Estados foi o mesmo usado pelo presidente para justificar o atual desmanche da operação da qual o juiz Bretas faz parte no Rio de Janeiro.Depois da repercussão por sua fala semana passada (ao dizer que “acabou” com a Lava Jato), Bolsonaro disse que a operação vai continuar “para os demais órgãos do Brasil, Estados e municípios”.

Bertas disse ainda que os nomes das operações são irrelevantes. “O importante é o princípio de se fazer a justiça doa a quem doer.”

O jantar ocorreu dois dias depois de Bolsonaro ter afirmado que acabou com a Lava Jato, e foi oferecido pelo grupo Alma Premium Brasil. Antes de ser chamado ao palco, o juiz e a operação foram amplamente elogiados pelo apresentador do encontro, Beetto Saad, que disse ainda lamentar por Bretas não ter sido indicado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Ao final de um rápido discurso, Bretas disse que as eleições de 2018 refletiram uma mudança no comportamento dos eleitores, que entenderam a importância do combate à corrupção. “Essa bagagem não pode ser colocada de lado.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: