Boulos ‘recicla’ slogan malufista contra Covas

Boulos ‘recicla’ slogan malufista contra Covas

Coluna do Estadão

22 de novembro de 2020 | 05h00

Foto: Daniel Teixeira/Estadão

A campanha de Guilherme Boulos (PSOL) a prefeito está reciclando estratégia utilizada por Paulo Maluf em 1992: “não tenho nada contra o Suplicy, eu só não quero mais é o PT mandando aqui”, dizia o jingle malufista naquela eleição municipal. Agora, a nova versão é: “não tenho nada contra o Bruno Covas, o que eu reclamo é do trabalho dele”. Ou seja, finge que bate na “pessoa jurídica” para acertar na “física”, conforme explicação de um tucano. A ironia do destino é que Suplicy era o candidato da então prefeita Luiza Erundina, a vice de Boulos.

Reciclagem 2. A campanha de Covas (PSDB) reaproveitou slogan do segundo turno da eleição de 1998: “Quem compara vota Covas”. Na ocasião, Mario Covas, avô do candidato a prefeito, derrotou Maluf numa disputa memorável pelo governo. Veja:

Reprodução

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Ironia. O PSDB ainda deve ao responsável pela criação do slogan vitorioso de 1998 e agora reciclado.

Recife. Analistas e políticos se esforçam para entender a virada de Marília Arraes sobre João Campos. Com performance arrojada, ela se apresenta como “novidade” contra o reinado do PSB, partido que dá as cartas em Pernambuco há décadas.

Todas as letras. João Campos, de seu lado, insistirá em lembrar que Marília é PT: quer despertar o “antipetismo” desses eleitores.

Na física. Experiente analista de pesquisas e de cenários arrisca: a “questão pessoal” favorece Marília até aqui, afinal, quase sempre eleição é sobre “pessoas”, e ela tem apresentado “performance” melhor do que a do primo, além de estar surfando na “onda feminina”.

SINAIS PARTICULARES.
Marília Arraes, candidata pelo PT à Prefeitura de Recife

Ilustração: Kleber Sales

Estratégia. O antipetismo, segundo aliados de Campos, é a esperança dele para virar votos de eleitores que no primeiro turno votaram em Mendonça Filho (DEM) e em Delegada Patrícia (Podemos) e que agora estão com Marília Arraes.

Risco. O PSB ainda tem muitas chances de vitória em Recife, mas já começa a sentir uma certa “fadiga de material”: está no comando do governo de Pernambuco desde 2007 e no da prefeitura desde 2013.

Ajuda aí. Em reunião com deputados no MEC, Milton Ribeiro pediu uma ajuda deles em forma de emendas parlamentares. Há duas semanas, o Congresso aprovou medida do governo federal que retirou R$ 1,4 bi da Educação.

Olha só. Ribeiro, que é pastor, fez duras críticas à estrutura educacional do País. Segundo relatos, disse que há quem chegue na universidade sem saber fazer conta, mas que no ensino fundamental já sabe botar camisinha. Procurada, a pasta não respondeu.

CLICK. Para a senadora Leila Barros (PSB-DF), o Planalto teve bom senso ao reconduzir Marcia Abrahão à reitoria da UnB. Ela ficou em primeiro lugar na lista tríplice.

Reprodução/Instagram

Proposta. Porta-voz do movimento “Vou de túnel”, Tércio Carvalho afirma não ser preciso esperar a privatização do Porto de Santos, prevista para 2022, para que o projeto da construção do túnel Santos-Guarujá saia do papel. Ele defende uma PPP já em 2021.

Diferenças. O governo de São Paulo preferia a construção de uma ponte por considerar o projeto mais viável. Para Carvalho, a ideia da ponte apresenta desvantagens: passaria por cima de locais de armazenamento de combustível e não seria acessível ao VLT, pedestres e bicicletas.

PRONTO, FALEI! 

Foto: André Dusek/Estadão

Moreira Franco, ex-ministro e ex-governador do Rio: “Negar o racismo é desconhecer a história brasileira, proteger o racista é não querer que a civilização avance. A política deve corrigir injustiças.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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