Desgaste de Bolsonaro agita bastidores eleitorais

Desgaste de Bolsonaro agita bastidores eleitorais

Coluna do Estadão

24 de março de 2019 | 05h00

 

Presidente Jair Bolsonaro. Foto: Dida Sampaio

A queda na avaliação de Jair Bolsonaro na mais recente pesquisa Ibope esquentou os bastidores da política paulistana. Quem achava que o presidente seria o grande cabo eleitoral da eleição no ano que vem já não tem mais tanta convicção. Na toada em que vai o governo dele, o mais provável, avalia um rodado marqueteiro, é a repetição dos fracassos de Collor, FHC e Lula quando iniciavam seus primeiros mandatos no Planalto: chegaram na disputa pela Prefeitura de SP (e de outras capitais do País) com considerável grau de toxicidade política.

Postes. Em 2012, Dilma Rousseff elegeu Fernando Haddad, mas o crédito foi de Lula, que já estava fora do Planalto e botou o afilhado sobre os ombros em SP.

Linha amarela. Apesar de Bolsonaro dizer que a pesquia Ibope não tem credibilidade, é nítido o movimento de antigos aliados em busca de manter distância regulamentar dele.

Ainda pulsa. As cabeças brancas tucanas viram crescer as chances de reeleição de Bruno Covas. Desde que ele se concentre na gestão da capital e se reaproxime do governador João Doria.

Garganta. A pesquisa, que apontou queda de 15 pontos na aprovação do governo, não tira Joice Hasselmann, Janaína Paschoal e Major Olímpio, todos do PSL, da raia. Mas exige deles ainda mais “voluntarismo”, diz um marqueteiro.

CLICK. Jair Bolsonaro comemorou seu 64º aniversário no Chile, na última quinta-feira – mesma data da prisão de Michel Temer.  Na foto, está com a embaixatriz Mônica Duarte.

Reprodução: Instagram Jair Bolsonaro

Prato frio. Se o presidente Cauê Macris (PSDB) cumprir o que vem dizendo na Assembleia-SP, o PSL de Janaína Paschoal ficará sem comandar comissões, mesmo tendo a maior bancada da Casa. Feridas da eleição da Mesa ainda abertas.

Cobrança. Depois da prisão de Michel Temer, senadores do MDB discutiram o incômodo com a falta de posicionamento firme do líder da bancada, Eduardo Braga (AM), e do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Coragem. Quem ganhou pontos com a velha guarda da política foi o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), firme ao criticar a prisão de Temer decretada por Marcelo Bretas. A defesa que ele fez teve o respaldo de sua atuação como oposição ao ex-presidente.

SINAIS PARTICULARES

NOVOS LÍDERES DO CONGRESSO

Fernando Bezerra Coelho, senador (MDB-PE)

Crédito: Kleber Sales

De volta… Surgiu uma ideia nas conversas sobre a disputa pelo comandonacional do PSDB: criar um Conselho de notáveis e fazer um rodízio na presidência do partido para substituir Geraldo Alckmin, que deixa o cargo em maio.

… ao início. Pela proposta, cada presidente ficaria no máximo seis meses no comando do PSDB. O rodízio foi usado na criação do partido, em 1988. Único candidato declarado, Bruno Araújo é considerado por alas sem estatura política e sem currículo para comandar a sigla.

Mea… Rodrigo Maia (DEM-RJ) se irritou com a pressão das redes sociais para dar celeridade ao pacote anticrime de Sérgio Moro (Justiça). A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) foi a voz de um dos áudios que viralizou em grupos de combate à corrupção.

… culpa. Segundo ela, a intenção não era fustigar Rodrigo Maia, nem esquentar a crise. “Pedi para escreverem para ele, realmente, mas com educação. As pessoas não estão entendendo que a gente não precisa brigar com quem é aliado nosso”, afirmou a deputada.

PRONTO, FALEI!

NAJARA ARAUJO/CAMARA DOS DEPUTADOS

João Roma, deputado federal (PRB-BA): “Assim como o Bolsonaro foi legitimado para liderar o Brasil, o Congresso, com renovação de 50%, também foi pelas urnas”, sobre a relevância do Parlamento e a crise dos Poderes. 

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA.

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