Bolsonaro e o arrocho sobre a ‘velha política’

Bolsonaro e o arrocho sobre a ‘velha política’

Coluna do Estadão

24 de julho de 2020 | 00h28

Jair Bolsonaro. FOTO: ALAN SANTOS/PR

As recentes ações da Polícia Federal levantaram suspeitas entre políticos e no mundo jurídico de que as supostas pressões de Jair Bolsonaro sobre a corporação não teriam por objetivo apenas proteger familiares e amigos do presidente, mas também enfraquecer adversários. Desconfianças à parte, fato é que a nova onda de arrochos sobre a “velha política”, governadores e prefeitos pode dar uma lustrada na imagem de “outsider” do presidente e passar uma massa corrida nas avarias provocadas por Sérgio Moro em seu discurso de combate à corrupção.

Binóculo. Quem enxerga longe já vê Bolsonaro em marcha pela reeleição. O plano, entre outros pontos, inclui pisar no pescoço da Lava Jato de um lado, enquanto, do outro, se promover como herdeiro do espólio eleitoral da operação.

Para cima dele. Mas e o Moro? A estratégia inclui desgastar o ex-juiz ao máximo, associando-o, inclusive, a uma ideia de seletividade na condução de seus trabalhos na Lava Jato: dizer que ele pegou Lula, mas protegeu os tucanos.

A ver. Quem desconfia da pressão de Bolsonaro sobre a PF para desgastar adversários aguarda ansiosamente mais operações da corporação contra a rede de fake news e as milícias.

Para lembrar. Bolsonaro sempre negou a intenção de intervir na PF. Um inquérito no STF investiga a acusação de Moro.

CLICK. Capitão Augusto (PL-SP) botou o bloco na rua e já tem até santinho virtual de sua campanha pela presidência da Câmara… Seis meses antes da data do pleito.

Divulgação

Olho no lance. PV, PSB, PDT, Rede e Cidadania querem a instalação de uma CPI para apurar a retenção de verba do combate à pandemia pelo governo federal.

Votem. A CNI iniciou ofensiva sobre senadores pela urgência na votação do protocolo de Nagoya, já aprovado pela Câmara. Ele estabelece regras internacionais para repartição de benefícios do uso econômico de recursos energéticos da biodiversidade.

Números. O deputado federal Vinicius Poit (Novo-SP) se debruçou com afinco sobre o cipoal de taxas, tributos e impostos do País. O veredicto foi pouco otimista: “Cada vez que estudamos os detalhes da reforma, cresce a certeza de que temos o pior sistema tributário do mundo”.

SINAIS PARTICULARES.
Vinicius Poit, deputado federal (Novo-SP)

Ilustração: Kleber Sales

Novo texto. Paulo Teixeira (PT-SP) apresentou projeto para revogar a Lei de Segurança Nacional e instituir a Lei em Defesa do Estado Democrático de Direito, que estabelece punição a ações contrárias às instituições republicanas. O texto foi elaborado por juristas, como o ex-ministro Eugênio Aragão (Justiça).

Combo. As propostas de campanha de Bruno Covas (PSDB) para a reeleição trarão um upgrade no Mãe Paulistana: gestantes que aderirem ao programa de acompanhamento pré-natal terão vaga garantida para os filhos nas creches da rede municipal paulistana.

Equipe. O economista liberal Arilton Teixeira será o responsável pelo plano de governo do pré-candidato a prefeito de São Paulo Arthur do Val (Patriotas) para a área de finanças, desenvolvimento e novos empregos.

Pensar. Luis Roberto Barroso abre hoje, às 18h30, o Congresso Internacional de Direito Partidário da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político. O evento, transmitido pelo canal da Abradep no YouTube, terá painéis temáticos sobre os desafios partidários.

BOMBOU NAS REDES!

Carla Zambelli. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP): “O Major Vitor Hugo caiu, eu fui presa e estou escrevendo no xadrez, Jair Bolsonaro vai renunciar… Parem de plantar notícias e vão plantar batata!”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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