Bolsonaro e a teoria do pneu murcho

Bolsonaro e a teoria do pneu murcho

Coluna do Estadão

04 de agosto de 2019 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

Se há mesmo uma estratégia de Jair Bolsonaro em forçar a radicalização para governar ancorado no um terço ultraconservador da população, ela embute altos riscos, observa um analista de pesquisas. É possível governar com apenas 30% de apoio? Sim, como é possível rodar com um pneu murcho; mas em qual velocidade, a que custo e até onde? No ritmo em que o presidente consome capital político, se os índices de reprovação superarem 45%, a viagem até 2022 poderá depender em larga medida de um milagre de Paulo Guedes e da simpatia do Congresso.

Perigo. Altos índices de reprovação do Executivo (hoje na casa dos 30%) atiçam o Congresso. Um senador diz que muitos parlamentares são como tubarões: ao menor sabor de sangue na água, atacam a vítima sem dó ou piedade.

Decibéis. Caso o governo Bolsonaro se isole mesmo no apoio irrestrito, porém pequeno, de 30% da população, um deputado da linha de frente do exército virtual bolsonarista avisa: o barulho e a confusão nas redes sociais vão aumentar.

Vixe! No outro lado do cabo de aço, um deputado do Centrão rebate: o Congresso já não tem mais tanto medo da guerrilha virtual dos bolsonaristas.

Parece… No entorno de Jair Bolsonaro há um grupo de auxiliares bajuladores com a certeza de que o chefe não deve satisfações a ninguém e está acima das instituições democráticas.

… mentira…, Por sorte, Bolsonaro contrariou recomendações desses auxiliares ao dizer que vai prestar esclarecimentos sobre as declarações acerca da morte de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz.

… mas não é. Só para se ter uma ideia da quantidade de gente dando conselhos ruins ao presidente, os bajuladores contrariados defendiam que, fazendo isso, Bolsonaro dará palanque para Santa Cruz.

Aulinha. O presidente do PSL, Luciano Bivar, preparou uma cartilha de 23 páginas para apresentar aos deputados da Comissão Especial da Reforma Tributária com sua proposta de substitutivo do texto do deputado Baleia Rossi (MDB-SP).

SINAIS PARTICULARES
Luciano Bivar, deputado federal (PE) e presidente nacional do PSL

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Sintonia… Bruno Covas (PSDB) fará acenos à agenda de centro-esquerda em busca de se reeleger prefeito de São Paulo. Quer forçar uma polarização com a pauta do PSL de Bolsonaro.

… fina. Erra, porém, quem vê no movimento eleitoral descompasso entre Bruno e João Doria. Eles estão, de novo, alinhados.

Chamariz. Egresso do PT, o secretário de Cultura da capital paulista, Ale Youssef, ganhará mais protagonismo na articulação da gestão com sociedade.

Em casa. Em evento recente do PSDB paulistano, Youssef foi muito aplaudido pela militância tucana.

CLICK. A deputada federal Luiza Erundina (PSOL) visitou o secretário de Educação de SP, Bruno Caetano (PSDB). Falaram sobre projetos educacionais para surdos.

FOTO: REPRODUÇÃO INSTAGRAM BRUNO CAETANO

Pegando fogo. No diretório do PSL-SP, a disputa pelo comando aumenta conforme crescem as chances de Eduardo Bolsonaro, o atual presidente, virar embaixador em Washington.

Verdes. O PV faz atos hoje contra a liberação dos agrotóxicos, em cidades de SP, Rio, BA e MS. José Luiz Penna, presidente do partido, já entrou com ação no STF para reverter a liberação de 260 produtos.

PRONTO, FALEI!

Rodrigo Agostinho. FOTO: REILA MARIA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Rodrigo Agostinho, deputado federal (PSB-SP): “Exonerar o presidente do Inpe por ele ter falado a verdade é típico de um governo que não respeita o progresso científico. Lamentável retrocesso.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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