Bolsonaro aciona máquina em ano de eleição para turbinar investimentos

Bolsonaro aciona máquina em ano de eleição para turbinar investimentos

Mariana Carneiro, Camila Turtelli, Matheus Lara e Gustavo Côrtes

14 de abril de 2022 | 05h01

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado/Reuters.

Não são apenas os gastos com programas sociais, como o Auxílio Brasil, que foram turbinados por Jair Bolsonaro neste ano eleitoral. O presidente também ampliou as transferências voluntárias para investimentos em Estados e municípios no início de 2022 e superou até Dilma Rousseff (PT), em 2014, em sua campanha pela reeleição. Até março, Bolsonaro aplicou o equivalente a 8% do que planejou em investimentos neste ano, Dilma não passou de 5,8%. Os recursos viram obras e podem ajudar a melhorar a imagem do presidente na véspera da eleição. A região que recebeu mais dinheiro foi justamente o Nordeste, área em que Lula tem mais vantagem sobre o presidente na preferência do eleitorado.

ESPAÇOS. Quatro em cada dez reais investidos por Bolsonaro foram para o Nordeste. Em que pese a vontade política de ambos de ficar na cadeira, Dilma enfrentava maior restrição fiscal. Já Bolsonaro usou a PEC dos Precatórios em 2021 para alargar em R$ 106 bilhões o limite até então imposto pelo teto de gastos.

SOBE. O setor bancário enfrenta, em duas frentes simultâneas, nova tentativa de aumento de impostos. O Ministério da Economia planeja elevar a CSLL de 20% para 21% para bancar o novo Refis. Já senadores querem analisar um projeto de Angelo Coronel (PSD-BA) para elevar o ISS, nos municípios, de 5% para 7%.

PRONTO, FALEI! Marco Bertaiolli, deputado federal (PSD-SP)

“Não há mais desculpas para tantos atrasos. Jogar contra o programa é jogar contra o Congresso e, principalmente, contra milhões de empregos”, sobre o novo Refis.

CHEGA MAIS. Integrantes do PT paulista sonham em atrair o PSD para a coligação de Fernando Haddad (PT), oferecendo a vice a Felício Ramuth, ex-prefeito de São José dos Campos.

EU SOU. Escanteado pelo seu novo partido, o União Brasil, o ex-juiz Sérgio Moro ainda acredita que sua participação no processo eleitoral é “imprescindível” para viabilizar o centro político, já que ele aparecia em terceiro nas pesquisas. Agora, ele diz que vai ajudar na candidatura de Luciano Bivar.

SERÁ? Integrantes do União falam em indicar o ex-juiz como eventual vice de Bivar em uma chapa puro-sangue, mas o tema ainda tem de ser levado à discussão interna da legenda.

CLICK. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

Ele participou do lançamento do livro “Reconstrução: o Brasil nos anos 20”, organizado pelo colunista do Estadão Felipe Salto (à dir.), João Villaverde e Laura Karpuska. Na introdução, o livro faz críticas ao governo Bolsonaro.

VIAGEM. Respondendo a processos no Tribunal de Contas da União (TCU) por gastos com passagens e diárias na Lava Jato, Deltan Dallagnol e o ex-procurador-geral Rodrigo Janot podem acabar inelegíveis neste ano, segundo apostam integrantes do tribunal. Ambos se filiaram ao Podemos e avaliam se lançar candidatos a deputado federal.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato

CRIA. Arthur do Val (União Brasil) já tem planos após ter o mandato de deputado estadual cassado por comentários misóginos. Voltará ao MBL como professor, na “Academia MBL”, para formar “novos MamãeFaleis”.

FRENTE ESTREITA. Daniel Munduruku, Almir Suruí e Narúbia Karajá, lideranças indígenas que vão concorrer à Câmara, dizem ter sido impedidos de falar no Acampamento Terra Livre, o mesmo onde discursou Lula, só por serem filiados ao PDT.

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